A performance de Sandra Sá no Festival Vinhos & Música evidencia uma artista que se mantém fiel à sua essência.
Por: Marco Bissoli
Foi quando Sandra Sá subiu ao palco do Festival Vinhos & Música, neste sábado (26), no Parque Quedas do Rio Bonito, que o público lavrense pôde ter a exata dimensão da grandeza da artista. A paisagem montanhosa da região, suavemente envolvida pela noite, unindo gastronomia, arte e uma experiência privilegiada, serviu como cenário perfeito para que a força da intérprete de Olhos Coloridos brilhasse ainda mais (veja vídeo).
Sandra abriu a apresentação com uma poderosa versão de “Soul de Verão”, sucesso dos anos 90, convidando o público a sair do chão e incendiando o belo palco do teatro grego do local. Para além das forças do mercado — como a própria artista destacou — a arte e a liberdade de criar seguem sendo o motor de sua trajetória. Sandra, mulher negra e poderosa, reafirma em cena sua identidade, sua história e sua importância na música brasileira. Essa visceralidade também se revela em momentos intimistas, como na emocionante “Solidão”, cantada em uníssono pelo público nos versos que permanecem vivos na memória brasileira: “Que solidão que nada, eu preciso é ser amada, eu preciso é ser feliz”.

Interação entre artista e plateia é destaque da noite.
Foi nessa mescla entre lirismo arrebatador e a intensidade do funk, do soul e do rhythm and blues que Sandra transitou com naturalidade, conduzida por interpretações marcadas por sua voz grave, potente e inconfundível presença de palco. A artista ainda passeou por canções de Djavan, como “Flor de Lis”, e do amigo Cazuza, com “Blues da Piedade”, provando que o “juntos e misturados” funciona quando há alma, entrega e uma trajetória sólida. Aos 70 anos, Sandra reafirma sua singularidade: sambou, tocou tamborim e incendiou a plateia.

Ritmo contagiante sustenta a performance da artista de 70 anos.
Em um dos momentos mais marcantes da noite, Sandra Sá convidou o público a cantar “Parabéns” para sua companheira, que participava por meio de uma chamada de vídeo, criando uma conexão ainda mais especial com a plateia. Em outro instante espontâneo, chamou o público da pista para ocupar o espaço VIP, quebrando protocolos e aproximando ainda mais artista e espectadores — um gesto que traduziu sua essência livre e genuína.

No palco grego, apresentação ganha força com artista em destaque central.
Sandra Sá entregou um show histórico para a cidade. Em uma sequência envolvente de sucessos, a plateia — tomada pela energia contagiante de sua presença — foi conduzida por uma experiência quase sensorial. No palco, sua arte pareceu dialogar com Baco, o deus do vinho, em uma fusão simbólica entre céu e terra, razão e emoção, corpo e alma.
















