Professor Gilvano Ebling Brondani coordena, em laboratório, a pesquisa que busca a clonagem da Tipuana centenária de Lavras.
Plantada em berço esplêndido na Praça Dr. Augusto Silva há mais de 100 anos, a árvore Tipuana resiste. Seu destino e preservação, contudo, passaram a ser tema de debate.
Espécie que se tornou um dos símbolos da cidade, a Tipuana virou um dos temas centrais discutidos no Encontro Municipal de Mudanças Climáticas e Gestão de Riscos, iniciativa promovida pelo Governo Municipal de Lavras e pela Universidade Federal de Lavras (UFLA).
Em sua segunda edição, realizada na semana passada, a iniciativa vai além e busca ampliar o diálogo entre o poder público, instituições, especialistas e a sociedade civil sobre os desafios ambientais enfrentados pelo município. Seis temas nortearam as discussões: cenário climático de Lavras, a Tipuana, arborização, riscos em Lavras, vulnerabilidades e informatização do projeto.

Realizado na semana passada, o 2º Encontro Municipal de Mudanças Climáticas e Gestão de Riscos promoveu debates sobre preservação ambiental e prevenção de riscos no município.
Na plateia do evento estava o professor e pesquisador do Departamento de Ciências Florestais da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Gilvano Ebling Brondani, que coordena o Projeto Multiplicação de Espécies Florestais da UFLA.
Brondani é o responsável pelo projeto de clonagem da Tipuana centenária. A pesquisa reúne mais de 20 pesquisadores, entre estudantes de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
O Curta Lavras conversou com o docente, que falou sobre os desafios do projeto de pesquisa, que busca encontrar as melhores alternativas para chegar à clonagem da árvore, produzindo plantas geneticamente idênticas à planta matriz.
Segundo ele, o estudo é desenvolvido para obter o tratamento adequado da planta matriz, a fim de produzir as melhores brotações e desenvolver técnicas de propagação vegetativa, visando à obtenção de clones.

Plantada há mais de um século, a Tipuana da Praça Dr. Augusto Silva tornou-se um patrimônio afetivo e paisagístico de Lavras.
eNa pesquisa, foram utilizados três métodos de propagação vegetal. A estaquia consiste no enraizamento de partes da planta, como galhos ou ramos, para formar uma nova muda geneticamente idêntica. A enxertia une tecidos de duas plantas diferentes, que passam a crescer como um único organismo, combinando características de ambas.
Já a micropropagação é uma técnica realizada em laboratório, na qual pequenos fragmentos da planta são cultivados em ambiente controlado para produzir, em larga escala, mudas clonadas e livres de contaminação.
Brondani destaca que os resultados dos primeiros estudos visavam analisar como os tecidos da planta se comportam biologicamente.
“O processo de estaquia não apresentou nenhuma resposta positiva para o enraizamento. Por isso, partimos para outros processos, buscando a possibilidade da formação de raízes”, afirma.
“Trata-se de uma planta de difícil propagação, provavelmente devido à sua idade ontogenética. É uma planta com mais de 100 anos de idade. É um material mais sensível e difícil de propagar por meio do processo de clonagem”, concluiu.
Tempo

Laboratório da UFLA abriga as pesquisas do projeto de clonagem da Tipuana centenária de Lavras.
Brondani afirma que o estudo ainda vai demorar alguns anos para garantir o tratamento adequado dos materiais e o desenvolvimento do processo de clonagem. A ideia inicial é que o clone seja plantado no mesmo local ou próximo da Tipuana, para que seja realizado um acompanhamento de seu desenvolvimento.
O desenvolvimento da nova planta, ressalta ele, depende ainda de outros fatores. “Precisamos levar em conta, nesse processo, os fenômenos climáticos que podem afetar o desenvolvimento da futura planta”, afirmou.
O futuro da atual Tipuana também está em jogo, já que outros fatores, como destaca o especialista, podem contribuir para o desaparecimento da árvore. São muitas as variáveis. Hoje, ela está à mercê da poluição, do barulho e da trepidação do terreno, processos que podem acelerar ainda mais o envelhecimento da espécie.
“A Tipuana é um ser vivo que tem um prazo. A gente não sabe quanto tempo ela pode permanecer viva, mas sabemos que ela está em um processo ontogenético avançado de formação de tecidos. Acredito que, em algum momento, teremos de fazer a supressão da árvore, tendo em vista uma análise técnica”, finalizou.
















