Poeta, ensaísta, crítico, tradutor e editor, Alexei Bueno morreu na madrugada deste sábado (27), em sua casa, no Rio, aos 63 anos. Premiado duas vezes com o Jabuti, além de prêmios da APCA, Fernando Pessoa, ABL, Biblioteca Nacional, entre outros, ele tratava um câncer.
Nascido no Rio em 1963, formou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde desenvolveu estudos em literatura e filologia que influenciaram sua produção poética e ensaística. Em quatro décadas de produção, destacou-se por uma obra marcada pelo rigor formal e pelo diálogo com a tradição clássica.
Publicou, entre outros, “As escadas da torre” (1984), “Poemas gregos” (1985), “Lucernário” (1993), “A via estreita” (1995), “Os resistentes” (2001), “A árvore seca” (2006), “Anamnese” (2016), “Cerração” (2019), “O sono dos humildes” (2021), “A noite assediada” (2022), “Naquele remoto agora” (2024), “O irrefreável” (2025) e “A chave quebrada” (2026). Também reuniu sua produção em coletâneas como “Poemas reunidos” (1998), “Poesia reunida” (2003) e “Poesia completa” (2013).
Como ensaísta, publicou obras como “Uma história da poesia brasileira” (2007) e “A escravidão na poesia brasileira: do século XVII ao XXI” (2022). Também organizou edições críticas de autores brasileiros e portugueses, como Augusto dos Anjos, Cruz e Sousa, Olavo Bilac, Álvares de Azevedo, Gonçalves Dias, Vinicius de Moraes e Luís de Camões. Como tradutor, foi responsável por edições em português de obras de Gérard de Nerval, Edgar Allan Poe, Pablo Neruda e John Clare.
Foi membro do PEN Clube do Brasil e também dirigiu o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC) entre 1999 e 2002 e organizou exposições e publicações dedicadas à literatura, às artes e ao patrimônio cultural brasileiro.
Durante uma entrevista ao jornal O Globo, Bueno destacou a descoberta de um raro poema do romântico Fagundes Varela que descrevia a violência psicológica e moral do cativeiro, e não apenas a física, como é mais comum. Na obra, Bueno reuniu mais de 200 poemas assinados por 81 autores, como Castro Alves, Tomás Antônio Gonzaga, Machado de Assis, Maria Firmina dos Reis, Cecília Meireles, além de nomes contemporâneos, e classificava o gênero como o mais engajado contra a escravidão.
— É um poema que me fascina, pois é o único que conheço a tratar não das misérias físicas do cativo, mas da destruição de sua alma, do seu aniquilamento interno. É uma obra-prima, um dos maiores momentos da poesia brasileira — enalteceu Bueno, sobre a obra de Varela.
Secretário-geral da ABL, Antônio Carlos Secchin prestou tributo ao poeta: “Alexei foi um homem de letras e um enciclopedista como poucos: paixão pela literatura e pela arte, interesse por uma vasta gama de assuntos, conhecedor profundo de História, de Cinema, exímio tradutor, ensaísta, crítico de arte, bibliófilo. Um carioca de incontido amor pela cidade. Deixa qualificada e volumosa bibliografia, com destaque para sua produção poética, requintada e personalíssima, demonstrando grande mestria tanto na prática do verso regular quanto na do verso livre, conforme se lê no recente ‘A chave quebrada’, espécie de testamento poético e existencial do mais alto nível.”
Membro da ABL e presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Marco Lucchesi lamentou a perda em suas redes sociais: “Profundamente entristecido com a morte de meu querido amigo Alexei Bueno. Poeta absoluto, tradutor, ensaísta, editor. Não encontro palavras suficientes ainda para lamentar essa profunda ausência”.
















