Lavras dá um passo significativo na valorização e diversificação de sua cultura popular com a iniciativa de Mestre Coelho, um dos mais antigos mestres de Capoeira em atividade na cidade. Reconhecido por sua trajetória à frente do Grupo Nova Liberdade, o mestre se prepara agora para introduzir uma nova manifestação artística no município: o Coco de Roda.
A chegada dessa expressão cultural representa mais do que uma novidade artística — trata-se de um avanço importante na ampliação do repertório cultural de Lavras. Em uma cidade onde tradições já consolidadas convivem com novas iniciativas, incorporar o Coco de Roda significa fortalecer a identidade cultural local por meio do diálogo com outras matrizes brasileiras, especialmente as de origem afro-indígena.
Há décadas, o Grupo Nova Liberdade mantém viva a tradição dos folguedos ligados à capoeira, como o Samba de Roda, o Puxa de Rede e o Maculelê. Agora, em um movimento inédito, Mestre Coelho e as lideranças do grupo trabalham na implementação do Coco de Roda como parte das atividades regulares de ensino e prática cultural.

Segundo o mestre, a preparação já está em andamento. A equipe do Nova Liberdade realizou estudos, trocou experiências com grupos de outras regiões que já desenvolvem o Coco de Roda e se organiza para iniciar as atividades a partir de maio. A proposta, além de inovadora, é estruturada: a intenção é garantir continuidade, formação e acesso à prática.
O caráter pioneiro da iniciativa chama atenção. Até o momento, não há registros de grupos culturais em Lavras que tenham desenvolvido um trabalho contínuo e sistemático de ensino do Coco de Roda, o que reforça a relevância do projeto para o fortalecimento da cultura popular no município.
O Coco é uma manifestação cultural originária do litoral nordestino, com raízes no século XVIII. Surgiu do encontro entre influências africanas — especialmente do batuque angolano-conguense — e tradições indígenas, nos engenhos de açúcar da antiga Capitania de Pernambuco, abrangendo hoje estados como Pernambuco, Alagoas e Paraíba.

A palavra “coco”, segundo tradições populares, está associada à cabeça — de onde nascem as músicas — e simboliza a criatividade e a oralidade características dessa cultura. A manifestação envolve canto, poesia, dança de roda e um ritmo marcante, sendo executada em pares, fileiras ou círculos durante festas populares.
Mais do que uma dança, o Coco de Roda é uma expressão viva da ancestralidade afro-indígena brasileira. Sua musicalidade, marcada pela coletividade e pela oralidade, carrega histórias, resistências e identidades que atravessam gerações.
Ao trazer o Coco de Roda para Lavras, Mestre Coelho não apenas amplia o repertório do Grupo Nova Liberdade, mas contribui diretamente para o enriquecimento cultural da cidade. A iniciativa fortalece a diversidade de expressões artísticas, promove o intercâmbio entre diferentes tradições e reafirma a importância de investir na cultura como elemento fundamental de identidade, educação e transformação social.
















