Lavras pode voltar ao mapa ferroviário com projeto de 703 km.
O Ministério dos Transportes finalizou a proposta para o chamamento público do Corredor Minas-Rio, um amplo projeto de reativação e autorização ferroviária envolvendo trechos da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) entre Minas Gerais e o litoral do Rio de Janeiro. A informação foi revelada por fontes do jornal O TEMPO, e o edital deve ser publicado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em cerca de 30 dias após o recebimento da documentação. O processo será acompanhado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
O chamamento público busca atrair empresas privadas para operar trechos atualmente desativados ou subutilizados, mediante contratos de autorização com vigência de 99 anos. Diferentemente da proposta inicial, apresentada em abril, o governo federal não estipulará investimento mínimo obrigatório, deixando a cargo do interessado os aportes necessários conforme seu plano de negócios.
Entre os pontos estratégicos do corredor está Lavras, que faz parte de um trecho considerado chave para o projeto: a shortline de 130 km entre Varginha, Três Corações e Lavras, sem tráfego desde 2011.
Lavras aparece como ponto de ligação fundamental entre a malha que conecta Arcos a Angra dos Reis, o ramal logístico do Sul de Minas e a rota cafeeira que segue em direção ao Porto Seco Sul de Minas, em Varginha, formando um eixo estratégico para o escoamento de cargas e para a integração ferroviária regional.
A estação Engenheiro Bhering, em Lavras, é parte estruturante da iniciativa, sendo mencionada como ponto de passagem obrigatória no fluxo destinado a abastecer o porto de Angra dos Reis. A recuperação do trecho entre Varginha e Lavras, antes estimada em R$ 449,6 milhões, agora dependerá dos planos do autorizatário vencedor, podendo colocar Lavras novamente no eixo ferroviário do Sudeste.
Além disso, Lavras fica em posição privilegiada caso o governo decida pela conexão entre as malhas da FCA e da MRS por Minas Gerais — opção em Arantina —, fortalecendo ainda mais a malha regional.
O chamamento público é a solução adotada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para atrair empresas interessadas na exploração indireta de trechos ferroviários federais que estão desativados ou subutilizados. Os autorizatários poderão operar por até 99 anos, mediante contrato, com liberdade total para definir os investimentos necessários em cada trecho. Diferentemente da proposta apresentada em abril deste ano — quando havia previsão de R$ 720,3 milhões em aportes —, o governo agora não estipulou valores mínimos de investimento, deixando essa responsabilidade para o grupo vencedor.
Dois eventos serão realizados para captação de interessados, um em Varginha (MG) e outro em Barra Mansa (RJ). O projeto também prevê a possibilidade de cessão de material rodante da atual concessionária, a VLI Logística, ao futuro autorizatário. A outorga terá valor simbólico de R$ 1, e, caso haja mais de uma empresa interessada, vencerá quem oferecer o maior valor. Não haverá aporte de recursos públicos neste chamamento específico.
Com essa reorganização, Lavras se torna peça-chave para a reativação ferroviária do Sul de Minas, podendo voltar ao mapa nacional do transporte de cargas e reforçar sua importância logística no escoamento da produção regional rumo ao Rio de Janeiro. O chamamento público deve atrair empresas interessadas, e a expectativa é de que a ferrovia volte a impulsionar o desenvolvimento econômico da região.
















