A atriz Karine Teles, homenageada na Mostra de Tiradentes de 2026 –
Neste ano, a Mostra de Cinema de Tiradentes, que abre o calendário do audiovisual brasileiro, nesta sexta-feira (23), no interior de Minas Gerais, chega sob um mote que parece se conectar com o momento do audiovisual nacional. O tema da edição é Soberania Imaginativa.
Por um lado, vivemos um momento de invasão dos festivais internacionais por filmes brasileiros, que se enchem de prêmios e passam, cada vez mais, a concorrer com produções estrangeiras de igual para igual no cenário global.
Por outro, 2025 ficou marcado por ser um ano que prometeu finalmente regulamentar no Brasil as plataformas de streaming, sobretudo estrangeiras. Só que a promessa acabou sendo empurrada para 2026, ano eleitoral, quando tudo é mais difícil.
O tema tem a ver também com a jornada percorrida pelo cinema nacional desde sua retomada, no fim da década de 1990. Se por um lado vemos brasileiros brilhando em Hollywood, com as indicações de “O Agente Secreto” no Oscar, ou em festivais europeus, há muita produção que não encontra seu público. Não necessariamente por falta de sustância artística, mas talvez por falta de políticas estruturantes e perenes em um ecossistema que ainda tem muito a amadurecer.
“Nessas últimas décadas, a gente vê nascer um cinema inventivo, experimental, autoral que muitas vezes fica no anonimato”, diz Raquel Hallack, coordenadora-geral da mostra. O tema desta 29ª edição é, portanto, uma provocação “para gerar reflexão sobre esse cinema que é desconhecido pelo grande público, mas que é plural, diverso e inventivo”, afirma.
A programação gratuita reúne 137 filmes de 23 estados até dia 31 de janeiro, com mostras temáticas e competitivas, debates, fóruns e encontros.
A sessão de abertura acontece na noite desta sexta, com a estreia de “O Fantasma da Ópera”, curta-metragem de Julio Bressane, um dos mestres do cinema experimental brasileiro, e Rodrigo Lima, montador e colaborador frequente do carioca. O filme de 25 minutos foi feito a partir de imagens captadas durante os intervalos de filmagem do longa-metragem inédito “Pitico”, de Bressane, estrelado por Paulo Betti.
O evento homenageia este ano a atriz Karine Teles, justamente por ser uma artista que transita em vários nichos do audiovisual, de filmes experimentais a produções de repercussão internacional, como “Que Horas Ela Volta?”, passando por séries e novelas, como o remake de “Vale Tudo”.
A Mostra Aurora, pela segunda vez consecutiva, será dedicada exclusivamente a diretores estreantes e seus primeiros longas-metragens. Com ela, Tiradentes quer se manter como um dos principais espaços de revelação de novos talentos do cinema brasileiro.
Compõem a edição deste ano os filmes “Vulgo Jenny”, de Viviane Goulart, de Goiás; “Sabes de Mim, Agora Esqueça”, de Denise Vieira, do Distrito Federal; “Politiktok”, de Álvaro Andrade, da Bahia; “A Voz da Virgem”, de Pedro Almeida, do Rio de Janeiro; “Para os Guardados”, de desali e Rafael Rocha, de Minas Gerais; e “Obeso Mórbido”, de Diego Bauer, do Amazonas.
Já a seção Olhos Livres dedica-se a abordagens estéticas arrojadas e experimentais. Foram selecionados os filmes “Meu Tio da Câmera”, de Bernard Lessa, do Espírito Santo; “Ao Sabor das Cinzas”, de Taciano Valério, de Pernambuco; “Tannhäuser”, de Vinícius Romero, e “As Florestas da Noite”, de Priscyla Bettim e Renato Coelho, ambos de São Paulo. Do Rio de Janeiro, “Anistia 79”, de Anita Leandro, “O Enigma de S.”, de Gustavo de Mattos Jahn, e “Amante Difícil”, de João Pedro Faro.
A mostra de Tiradentes também recebe, no mesmo período, a quinta edição do Conexão Brasil CineMundi, iniciativa que reúne seis longas brasileiros em estágio avançado de finalização e os apresenta a programadores, distribuidores e agentes de vendas do Brasil e do exterior. Já participaram na iniciativa filmes como “Bacurau” e “Benzinho”, em anos anteriores.
Fonte: Folha de São Paulo/ Eduardo Moura
















