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“I Lá Vou Eu” marca história em Lavras como primeiro coletivo cultural certificado pelo MinC

A Escola de Capoeira “I Lá Vou Eu”, de Lavras (MG), foi certificada como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura, por meio do Edital de Chamamento Público PNAB 04/2024 – Premiação de Pontos e Pontões de Minas Gerais, executado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB – Lei nº 14.399/2022).

Conforme o resultado divulgado, a Escola “I Lá Vou Eu” alcançou o 18º lugar no estado de Minas Gerais, consolidando-se como primeiro lugar na região intermediária de Varginha e segundo lugar no Sul de Minas Gerais — uma conquista que evidencia a consistência e a relevância do trabalho cultural desenvolvido pelo coletivo.

A certificação da Escola de Capoeira “I Lá Vou Eu” como Ponto de Cultura também estabelece um marco histórico para o município: trata-se do primeiro coletivo cultural de Lavras a obter oficialmente o certificado — e, neste caso, coletivo cultural refere-se a um grupo cultural sem constituição jurídica própria (sem CNPJ), organizado de forma comunitária para realizar ações continuadas. O reconhecimento amplia a visibilidade institucional da cultura popular local e abre caminho para que outras iniciativas lavrenses se reconheçam e se fortaleçam no âmbito das políticas públicas de cultura.

A Escola de Capoeira “I Lá Vou Eu” também se destaca pelo intercâmbio cultural construído com a Comunidade Quilombola da Jaguara (Nazareno) e com as comunidades quilombolas da Cota e do Taquaral (Três Corações), fortalecendo uma rede de trocas baseada em respeito, escuta e reconhecimento de saberes ancestrais. Esse intercâmbio é estratégico porque amplia a circulação de práticas afro-brasileiras em seus territórios de origem e pertencimento, valoriza o protagonismo quilombola, promove aprendizagem mútua entre mestres, lideranças e jovens e contribui para a salvaguarda do patrimônio imaterial, consolidando a cultura como instrumento de memória, identidade e desenvolvimento comunitário.

A inauguração, neste ano, da Praça Iúna, em frente à sede da Escola, materializou uma ação simbólica de ocupação cultural do espaço público: ao inserir no muro da sede um grande grafite — tratado pelo próprio coletivo como um “manifesto visual” —, a Escola de Capoeira “I Lá Vou Eu” passou a oferecer ao bairro um ponto de convivência e educação pela arte. O painel reúne figuras que remetem às matrizes que constituíram o Brasil (indígena, negra e europeia) em direção ao quilombo, apresentado como símbolo maior de resistência, união e liberdade, e coloca a Ave Iúna em destaque, associada, na capoeira, à sagacidade, à mestria e à proteção. Localizada na Rua da Pedreira, nº 20, no bairro Santa Terezinha, a cerca de 50 metros da Praça Zumbi dos Palmares, a Praça Iúna amplia o alcance do trabalho do coletivo cultural ao levar para a rua uma narrativa visual sobre memória, pertencimento e a história do povo negro no Brasil, fortalecendo o vínculo comunitário e estimulando a leitura crítica do território.

A certificação coroa um ano descrito pela equipe como marcado por conquistas e expansão de ações. Atualmente, a Escola coordena o maior projeto de ensino regular de maculelê da microrregião de Lavras, reunindo mais de uma centena de alunos, somadas as turmas da sede e do CEACAD. Também trouxe o jongo para Lavras, sendo a única iniciativa cultural do município a desenvolver essa prática — que até onde sabemos é inédita na história local. Além disso, mantém ensaios mensais contínuos de puxada de rede e realiza oficinas pontuais de produção de berimbaus, confecção de indumentárias do maculelê e outros artefatos vinculados à cultura afro-brasileira.

Para o fundador, Mestre Rogério, a identidade do grupo está na dimensão cultural da capoeira: embora reconheça seu componente esportivo, ele destaca que, desde 1993, a escola sustenta a ênfase na capoeira como patrimônio cultural, memória e formação comunitária. A coordenação atual é conduzida pela Mestra Nilsa, única mulher mestra de capoeira da microrregião de Lavras e a única da região à frente de um grupo, fortalecendo o protagonismo feminino como marca institucional. Nesse mesmo horizonte, a Contramestra Camila lidera um núcleo de ensino no bairro Jardim Floresta.

Mestre Rogério também registrou agradecimento público à Coordenadoria de Cultura da Prefeitura Municipal de Lavras, com menção especial à coordenadora Lucinda Nunes e à equipe da Casa da Cultura, pelo apoio e pelas orientações que, segundo ele, foram decisivos para viabilizar conquistas ao longo de 2025 e, em especial, a certificação como Ponto de Cultura. do resultado no edital: https://www.secult.mg.gov.br/images/2025/Pnab/Resultado_final_retificado_Edital_4-26-08-25.xlsx

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