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Belchior completaria 80 anos e ganha homenagens com filmes, série e livros

Cantor e compositor cearense, morto em 2017, tem sua trajetória revisitada em documentários, produções de ficção e publicações que aproximam sua obra de novas gerações.

Belchior completaria 80 anos nesta segunda-feira (26). Nove anos após sua morte, o cantor e compositor cearense vive um período de renovado interesse por sua obra e trajetória. Novos filmes, livros e produções para a televisão revisitam suas canções, seu papel na música brasileira e os últimos anos de sua vida, marcados pelo afastamento dos palcos.

Uma das principais homenagens é o documentário Alucinação, dirigido por Renato Terra, Marcos Caetano e Leo Caetano, que será exibido nesta segunda-feira, às 18h, no CineSesc, durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

A produção celebra os 50 anos do álbum homônimo, lançado em 1976 e considerado um dos trabalhos mais importantes da música brasileira. Diferentemente de uma cinebiografia tradicional, o filme utiliza as dez músicas do disco, apresentadas na ordem original, para reconstruir o ambiente político, social e cultural do Brasil dos anos 1970.

Canções como Apenas um Rapaz Latino-Americano, Velha Roupa Colorida, Como Nossos Pais e Sujeito de Sorte são acompanhadas por imagens históricas que retratam a desigualdade social, a migração, os movimentos culturais e as transformações do país durante a ditadura militar.

A pesquisa para o documentário durou seis anos e reuniu registros de programas de televisão, filmes brasileiros e imagens domésticas da época.

Novos livros revisitam a obra e os últimos anos do cantor

As comemorações também incluem o lançamento de Belchior: Alucinação, escrito por Renato Terra e Rodrigo Salgado. A publicação analisa a construção musical e literária do álbum de 1976, explorando arranjos, influências e referências presentes nas composições.

No Rio de Janeiro, os jornalistas Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti lançam a segunda edição de Viver é Melhor que Sonhar — Os Últimos Caminhos de Belchior.

Publicado originalmente em 2021, o livro investiga os últimos dez anos do artista, período em que ele se afastou da vida pública e passou a circular pelo Uruguai e pelo Sul do Brasil, frequentemente acompanhado de Edna Prometheu.

Para reconstruir essa fase, os autores percorreram mais de 10 mil quilômetros e entrevistaram mais de 150 pessoas. A nova edição mantém o texto original e acrescenta informações sobre acontecimentos posteriores à primeira publicação.

Série e novo filme levahttps://www.youtube.com/watch?v=2zK5p0VoC3A&list=RD2zK5p0VoC3A&start_radio=1m a história de Belchior às telas

A trajetória do compositor também ganhou uma minissérie de quatro episódios, intitulada Alucinação, lançada em agosto pelo Canal Brasil e disponível no Globoplay.

Dirigida por Eduardo Albergaria, a produção acompanha a juventude de Belchior, desde sua formação em Sobral, no Ceará, até o início de sua projeção nacional. O cantor é interpretado por Caian Zattar.

Outro lançamento previsto é o longa-metragem Viver é Melhor que Sonhar, que estreia em 13 de novembro, no encerramento do Cine Ceará, em Fortaleza. A chegada aos cinemas está marcada para 3 de dezembro.

O filme aborda os últimos dez anos de vida do compositor, com Luiz Carlos Vasconcelos no papel de Belchior e Isabela Garcia interpretando Edna Prometheu.

O diretor Eduardo Albergaria também prepara um documentário baseado em 78 depoimentos de pessoas que conviveram com o músico. A proposta é confrontar os relatos pessoais com a maneira como seu afastamento foi retratado pela imprensa.

Uma obra que atravessa gerações

O interesse pela música de Belchior também foi renovado por artistas contemporâneos. A cantora Ana Cañas percorreu o Brasil com um espetáculo dedicado ao compositor, enquanto o rapper Emicida apresentou sua obra a novos públicos ao utilizar um trecho de Sujeito de Sorte na canção AmarElo, de 2019, gravada com Majur e Pabllo Vittar.

Nascido em Sobral, em 26 de outubro de 1946, Belchior morreu em 30 de abril de 2017, aos 70 anos. Suas músicas continuam presentes na cultura brasileira, abordando temas como juventude, mudanças sociais, sonhos, conflitos e resistência.

Aos 80 anos de seu nascimento, sua obra permanece atual e continua encontrando novos ouvintes.

Fonte: Folha de S.Paulo.

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