sexta-feira , 23 outubro 2026
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Silagem contaminada pode afetar animais e consumidores, aponta pesquisa

Pesquisa da UFLA aponta soluções para reduzir toxinas na silagem de milho.

Um problema que começa no campo, muitas vezes invisível a olho nu, pode trazer prejuízos ao produtor rural e riscos à saúde animal e humana: a deterioração da silagem de milho causada por fungos. Quando a silagem entra em contato com o ar, microrganismos indesejados podem se desenvolver e produzir micotoxinas, substâncias tóxicas capazes de afetar vacas e contaminar produtos como o leite.

É esse o alerta feito por uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Lavras, conduzida pela professora e pesquisadora da área de Zootecnia Carla Ávila. O estudo avalia alternativas para reduzir a deterioração da silagem e diminuir o risco dessas toxinas ao longo da cadeia produtiva.

“Quando a silagem é mal vedada ou entra oxigênio após a abertura do silo, pode ocorrer o crescimento de fungos. Dependendo da espécie, esses fungos produzem micotoxinas que prejudicam os animais e podem chegar aos alimentos de origem animal”, explica a pesquisadora.

A silagem é um alimento fermentado essencial para a produção de leite e carne, especialmente nos períodos de seca. Para que seja bem conservada, o processo depende de boa compactação e da ausência de oxigênio (condição chamada de anaerobiose). Quando esse equilíbrio falha, além das perdas de alimento, surgem riscos sanitários importantes.

Na pesquisa, a equipe testou o uso de inoculantes — bactérias adicionadas no momento da ensilagem para melhorar a fermentação. Entre as cepas avaliadas, uma bactéria isolada de silagens produzidas em Minas Gerais apresentou resultados promissores, com menor crescimento de microrganismos associados à deterioração, maior estabilidade da silagem após a abertura do silo e redução das perdas de matéria seca.

Um dos pontos que mais chama atenção é o comportamento das micotoxinas. De acordo com os resultados observados, a silagem que recebeu o inoculante apresentou menor concentração da toxina detectada ao longo do tempo, em comparação com a silagem sem o uso da bactéria.

“Além de conservar melhor a silagem, os resultados indicam uma redução do risco sanitário, o que é importante tanto para o produtor quanto para quem consome leite e carne”, destaca Carla Ávila.

O estudo é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e conta com a gestão administrativa e financeira da Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural (FUNDECC), fundação de apoio da UFLA.

Ao reduzir perdas no campo, melhorar a qualidade da alimentação animal e diminuir o risco de contaminação por micotoxinas, a pesquisa mostra como a ciência desenvolvida na universidade pode atuar diretamente na segurança dos alimentos e na sustentabilidade da produção agropecuária.

👉 A reportagem completa, com detalhes da pesquisa e explicações acessíveis ao público, está disponível no site da FUNDECC:
www.fundecc.org.br/noticias

Simone Paiva
Analista de Comunicação – FUNDECC

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