Edson de Souza ao lado da foto do ídolo atleticano Dadá Maravilha, uma das maiores lendas do Galo.
Um dos grandes nomes do futebol brasileiro, Dário José dos Santos está prestes a celebrar 80 anos na próxima quarta-feira (4). Para marcar a data, o Curta Lavras conversou com o radialista e locutor lavrense Edson de Souza.
Natural de Marechal Hermes, no Rio de Janeiro, o nacionalmente conhecido como Dadá Maravilha construiu uma das trajetórias mais marcantes e singulares do futebol brasileiro.
Edson de Souza, que integra a equipe esportiva da Rádio Cultura, foi testemunha ocular dessa história. Hoje com 75 anos, viu Dadá Maravilha jogar, o entrevistou e acompanhou de perto a carreira do craque.
Ídolo do Atlético Mineiro, o ex-atacante atuou pelo clube entre 1968 e 1979, disputando 290 partidas e marcando 211 gols — marca que o coloca como o segundo maior artilheiro da história do Galo.
Foi decisivo na conquista do Campeonato Brasileiro de 1971 ao marcar, de cabeça, o gol do título na final contra o Botafogo, no Maracanã. “Existem três coisas que pairam no ar: beija-flor, helicóptero e Dadá”, afirmou o craque em uma de suas entrevistas marcantes.

Momento em que Dadá Maravilha faz o gol que deu ao Atlético o título do Campeonato Brasileiro de 1971.
“Dadá sempre foi um jogador querido por todos. Ele criou um carisma em torno de si que agradava a todo mundo. Por onde passava, deixava sua marca. Até hoje é reverenciado quando chega para conferir uma partida no Mineirão”, relembra o radialista.

Jogador defendeu a camisa do Internacional (RS).
Artilheiro do Campeonato Mineiro em quatro oportunidades e do Brasileirão em três edições, Dadá também vestiu as camisas de clubes como Flamengo, Internacional, Sport Club do Recife e Ponte Preta. Ao longo de 21 anos de carreira, passou por 16 equipes.
Campeão da Copa do Mundo FIFA com a Seleção Brasileira, eternizou frases folclóricas como: “Não existe gol feio. Feio é não fazer gol”, “Não me venham com a problemática que eu tenho a solucionática” e “Creio em Deus, mas confio muito em Dadá. Treino até a exaustão, me esforço bastante, não espero a sorte, vou atrás dela. Ajudo Deus a me ajudar”.

O homem que “paira no ar” completa 80 anos.
Para Edson de Souza, Dadá Maravilha representa talento, irreverência, humanidade e protagonismo, deixando um legado inesquecível no futebol nacional. Ele recordou ainda um feito histórico quando, defendendo o Sport, em 1976, marcou 10 dos 14 gols na goleada sobre o Santo Amaro.
“O Dadá era um atacante fenomenal, criativo e inventivo — algo difícil de encontrar no futebol brasileiro de hoje. Tive a honra de vê-lo jogar, foi algo inesquecível”, finalizou Edson de Souza.

Nos gramados da Copa do Mundo de 1970.
No auge da ditadura militar, o presidente e general Emílio Garrastazu Médici influenciou a convocação de Dadá Maravilha para a Copa do Mundo de 1970. Fã do atacante do Atlético-MG, Médici desejava sua presença no elenco, o que gerou atrito com o então técnico João Saldanha, que resistiu à convocação. Saldanha acabou demitido e Zagallo, ao assumir a Seleção, confirmou Dadá na lista. Atualmente, Dadá Maravilha integra a “Bancada Democrática”, na TV Alterosa, onde comenta o Alterosa Esporte representando o Atlético Mineiro.
Mas, mais do que presença na televisão, Dadá segue como símbolo de uma era em que o futebol era poesia improvisada e ousadia sem roteiro. Aos 80 anos, continua pairando no ar — como ele mesmo dizia — não apenas na memória dos estádios, mas no coração de quem aprendeu que fazer gol também pode ser um ato de arte.

Dadá Maravilha fez 10 gols num só jogo no Recife.
















