Reconhecimento oficial valoriza uma tradição iniciada em 1911, que une produção artesanal, memória ferroviária e festa popular no Sul de Minas.
O pé de moleque faz parte da história de Piranguinho muito antes de ganhar o título de Capital Nacional. No município do Sul de Minas, a tradição começou em 1911, quando uma doceira passou a preparar e vender o doce na estação ferroviária da antiga linha Sapucahy. Com o tempo, a receita atravessou gerações e se tornou um dos principais símbolos da identidade local.
A homenagem foi oficializada pela Lei 15.515, sancionada sem vetos em 22 de setembro e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte. A norma reconhece nacionalmente a ligação entre a cidade e o doce, cuja produção artesanal também é reconhecida como patrimônio cultural de Minas Gerais desde 2009.
Da estação à identidade da cidade
A estação ferroviária foi o primeiro ponto de venda do pé de moleque em Piranguinho. A partir dali, o doce passou a circular pela cidade e pela região, associado ao trabalho de produtores locais e a um saber fazer que se mantém vivo há mais de um século.
Essa história ajuda a explicar por que o reconhecimento vai além da culinária. A produção artesanal tornou-se parte da memória do município e também movimenta a economia local. No parecer que acompanhou a proposta, a senadora Professora Dorinha Seabra destacou o papel da tradição na identidade e no desenvolvimento socioeconômico de Piranguinho.
Festa reúne moradores e visitantes
A tradição ganha destaque todos os anos na Festa do Maior Pé de Moleque do Mundo. Em 2025, o doce preparado para a celebração chegou a 31,3 metros de comprimento, e o evento recebeu mais de 17 mil pessoas, segundo os organizadores.
A lei que concedeu o título teve origem em projeto apresentado pelo ex-deputado federal Bilac Pinto, de Minas Gerais. A proposta foi aprovada pela Comissão de Educação do Senado em 1º de setembro, em decisão terminativa, antes de seguir para sanção.
Com o novo título, Piranguinho passa a ser reconhecida em todo o país por uma tradição que nasceu junto à ferrovia e ganhou lugar na mesa, na economia e na memória de seus moradores.
















