quinta-feira , 24 setembro 2026
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Artista sul-mineiro pinta homenagem a Milton Nascimento em BH

Artista de Três Pontas, Kaká Chazz assina mural de 1.600 m² em Belo Horizonte, que deve ser concluído no dia 26.

A homenagem ao cantor e compositor Milton Nascimento, iniciada em 8 de setembro, está na reta final. O mural assinado pelo artista mineiro Kaká Chazz deve ser concluído no próximo dia 26, na empena de um edifício da Avenida Álvares Cabral, 374, próximo à Rua Timbiras, na Região Central de Belo Horizonte.

Com 1.600 m², a obra já chama a atenção de quem passa pelo local. A composição reúne duas imagens de Milton em fases diferentes da vida: em uma, ele aparece mais velho, com uma sanfona — seu primeiro instrumento, ainda na infância —; na outra, é retratado jovem.

A ideia da homenagem

Kaká Chazz conta que a ideia do mural surgiu há cerca de quatro anos. Ele apresentou a proposta a Roger Dee, produtor e articulador ligado à cultura hip-hop, que viabilizou o prédio e levou o projeto à equipe do Fábrica de Graffiti.

A iniciativa passou a integrar a 20ª edição do projeto, em Belo Horizonte, e foi realizada por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, com patrocínio da Fundação ArcelorMittal.

Para o artista, as duas imagens representam diferentes momentos da trajetória de Milton e colocam em diálogo uma vida marcada por lutas, amizades e dedicação à arte. A ideia de travessia também se relaciona à própria experiência de Kaká.

“Eu também vejo a minha arte como uma travessia. Eu venho de um lugar e vou levando comigo tudo aquilo que vivi. O barroco mineiro, o pôr do sol do sertão, as montanhas, a cultura popular, as pessoas. Essa síntese territorial atravessa a minha arte”, afirma.

“Uma das homenagens mais bonitas”, diz filho de Milton

Augusto Nascimento, filho do cantor, apoiou e aprovou o projeto. Para ele, ver o rosto do pai ocupando uma das ruas de Belo Horizonte provoca uma emoção especial.

“Sempre digo que meu pai merece todas as homenagens e honrarias deste mundo. Mas ver o rosto dele tomando as ruas de Belo Horizonte traz uma emoção muito particular. Não tem como pensar em Minas sem pensar em Milton Nascimento, Lô Borges e no Clube da Esquina. Através da música, eles acrescentaram muito à identidade e à cultura do povo mineiro”, afirmou.

Augusto também destacou a admiração da família pelo trabalho de Kaká Chazz e lembrou o mural que o artista fez em Três Pontas, cidade onde Milton cresceu.

“Nossa família é profunda admiradora da arte de rua. Os cenários das duas últimas turnês que fizemos foram feitos pelos Osgemeos, gênios da arte urbana. E o Kaká Chazz, responsável pela empena em Belo Horizonte, é um artista que admiramos muito aqui em casa desde que homenageou lindamente o meu pai em Três Pontas, cidade onde ele cresceu e pela qual guarda enorme carinho. Foi uma homenagem que ele aprovou e adorou. Essa é uma das homenagens mais bonitas e simbólicas já prestadas a esse cara tão maravilhoso que é o meu pai”, disse.

Três Pontas aproximou artista e homenageado

A ligação com Três Pontas é um dos pontos de encontro entre Kaká Chazz e Milton Nascimento. O muralista nasceu no município, para onde Milton se mudou ainda criança, depois de viver em Juiz de Fora.

Kaká diz que crescer em uma cidade do interior onde Milton era uma figura tão presente mostrou que a arte podia ultrapassar fronteiras. “Em um contexto em que seguir uma trajetória artística pode parecer uma possibilidade distante, saber que alguém daquele mesmo território havia levado sua música e sua maneira de enxergar o mundo para além de Minas tinha um significado concreto”, afirma.

“Bituca sempre teve uma grande influência sobre mim como artista, especialmente por eu também ter crescido em Três Pontas. Ele me lembra constantemente que vale acreditar na força da arte”, diz.

A trajetória de Milton Nascimento

Milton Nascimento nasceu na Tijuca, no Rio de Janeiro, em 26 de outubro de 1942. Órfão aos 2 anos, foi morar com a avó em Juiz de Fora. Aos 6, mudou-se para Três Pontas com a família que o criou.

Em 1963, foi para Belo Horizonte, inicialmente para prestar vestibular para Economia. A música, porém, já fazia parte de sua vida. Na capital, aproximou-se de Lô Borges, Beto Guedes, Márcio Borges e Fernando Brant, nomes ligados à formação do Clube da Esquina.

“Travessia” ficou em segundo lugar no Festival Internacional da Canção, em 1967, e ajudou a projetar Milton nacionalmente. Em 1972, ele e Lô Borges lançaram o álbum “Clube da Esquina”, que se tornou uma referência da música brasileira, com canções como “Tudo o que Você Podia Ser” e “O Trem Azul”.

Com uma carreira de décadas, 42 álbuns e diversos prêmios, Milton Nascimento é considerado um dos maiores nomes da música brasileira.

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