A autora Maria Fernandes Nicolau durante o lançamento de Palimpséstica, obra de estreia publicada pela editora lavrense Minas Surreais.
A estudante do curso de Letras da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Maria Fernandes Nicolau, de 22 anos, lançou, na noite desta quinta-feira (30), na Casa da Cultura de Lavras, seu primeiro livro, “Palimpséstica”, publicado pela editora lavrense Minas Surreais. O evento reuniu amigos, familiares e leitores, contou com atrações musicais e a presença de expositores, e marcou também o lançamento da primeira obra publicada pela editora.
“O ato da escrita, para mim, é viver e morrer. Quando escrevo, é como se eu morresse um pouco, despejando tudo o que carrego em um profundo processo de entrega. Ao mesmo tempo, quando termino um texto, experimento um gesto de liberdade: consigo transformar essa dor em algo belo. É justamente essa transformação que torna a escrita libertadora e revolucionária”, afirmou a autora em entrevista ao Curta Lavras.
Com influências de Clarice Lispector (1920-1977), Hilda Hilst (1930-2004) e da contemporânea Fernanda Young (1970-2019), de quem admira “sua ironia”, Maria conta que a leitura sempre esteve presente em sua vida.

O livro Palimpséstica reúne contos que abordam memória, apagamentos, identidade e as marcas deixadas pelo preconceito.
“Minha mãe sempre incentivou a leitura desde sempre, mas foi somente aos 15 anos, após a morte de meu pai, que descobri o processo da escrita e a minha sexualidade.”
A obra “Palimpséstica” nasce tendo como referência a ideia de palimpsesto, um manuscrito em papiro ou pergaminho da era grega cujo texto original foi raspado ou lavado para permitir que um novo conteúdo fosse escrito por cima.
“A minha ideia foi tentar escrever em cima de uma história que já foi contada, mas essas dores que estão ali marcadas não podem ser apagadas de uma geração. São contos que falam de pessoas com suas vidas apagadas, de quase uma não existência dentro de uma sociedade complexa onde o preconceito existe.”

Amigos, familiares, leitores e convidados prestigiaram o lançamento de Palimpséstica, na Casa da Cultura de Lavras.
Para a autora, por mais que se crie uma narrativa por meio do eu lírico, a escrita faz o escritor visitar a própria dor e também a dor do outro.
“Esse é um processo difícil, mas que faz da arte algo revolucionário. É um movimento de denúncia e registro.”

Maria Fernandes Nicolau compara o lançamento do livro a um nascimento.
“O livro foi gestado e seu lançamento é um parto. Esse processo leva a gente a fazer escolhas. Quando ele nasce, quem vai defini-lo é o outro. A dialética da literatura depende mais do trabalho do leitor do que do autor no espaço interpretativo.”
















