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Morre Nilton Travesso, que foi diretor pioneiro da TV brasileira, aos 92 anos

Retrato do diretor de teatro e televisão Nilton Travesso na escola Oficina de Atores, da qual é proprietário.

O diretor e produtor Nilton Travesso morreu nesta sexta-feira (6), aos 92 anos. Ele estava internado desde o início da semana no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para tratar um quadro de infecção generalizada.

Travesso enfrentava problemas de saúde havia cinco anos. Entre eles, um acidente vascular cerebral, câncer na orelha, alterações na válvula mitral do coração e episódios de derrame pleural. O velório será neste sábado (7), das 10h às 17h, na Funeral Home, na região central da capital paulista.

Com mais de sete décadas de carreira, Travesso participou da implantação da TV Record e ajudou a criar programas que marcaram diferentes gerações. Nascido em São Paulo, em 20 de maio de 1934, aproximou-se das artes ainda jovem, quando frequentava espetáculos de ópera no Theatro Municipal.

Em 1953, aos 19 anos, começou a trabalhar na Record como câmera e integrou a equipe responsável por colocar a emissora no ar. Na década de 1960, fez parte da chamada Equipe A, ao lado de Raul Duarte, Manoel Carlos e Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o Seu Tuta. Na Record, dirigiu atrações como “O Fino da Bossa”, “Jovem Guarda” e “Família Trapo”.

Em 1974, foi para a Globo, onde participou do desenvolvimento do “Fantástico”. No ano seguinte, produziu o quadro “América do Sul”, com Ney Matogrosso, gravado em meio à floresta e apontado como o primeiro videoclipe da televisão brasileira. Também esteve ligado a programas como “TV Mulher”, “Som Brasil” e “Balão Mágico”, além do “Chico Anysio Show” e das novelas “Sinhá Moça” e “Direito de Amar”.

A partir de 1987, na TV Manchete, colaborou com Jayme Monjardim na organização do departamento de teledramaturgia. A emissora produziu novelas de grande repercussão, como “Pantanal”, “Ana Raio e Zé Trovão” e “Kananga do Japão”.

No SBT, participou da retomada da produção de novelas, com trabalhos como “Éramos Seis”, “As Pupilas do Senhor Reitor” e “Sangue do Meu Sangue”. Também esteve envolvido na concepção do “Bom Dia & Cia” e na reformulação do “Show Maravilha”.

Em outras fases da carreira, dirigiu o “Mais Você”, na Globo, o “Saia Justa”, no GNT, e o “Todo Seu”, na TV Gazeta. Também trabalhou na Bandeirantes e na Jovem Pan. Com Seu Tuta, apresentou “Dois Diretores em Cena”, programa sobre histórias da televisão e do rádio que recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 2011.

Fora das emissoras, fundou em São Paulo a Oficina de Atores Nilton Travesso, voltada à formação em interpretação e em áreas técnicas da produção artística. Em 2023, foi homenageado na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Travesso era casado com a jornalista e bailarina Marilu Torres. Ele deixa os filhos Camila e Marcelo, também diretor de televisão, e cinco netos.

Fonte: Folha de S.Paulo

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