Sistema criado por Lucas Resende oferece estimativas de regularização e vira referência entre imigrantes.
O lavrense Lucas Resende, 30 anos, está levando o nome de Lavras (MG) para além das fronteiras brasileiras ao desenvolver uma ferramenta que virou referência entre imigrantes em Portugal. O sistema criado por ele permite prever o tempo de espera nos processos de autorização de residência junto à Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) — um dos maiores gargalos enfrentados por estrangeiros no país.
A iniciativa ganhou repercussão na imprensa portuguesa e tem sido compartilhada por comunidades de imigrantes em vários países, colocando o profissional de tecnologia e sua cidade natal em evidência. Lucas Resende exerceu a profissão de advogado em Lavras, antes de se aventurar por terras portuguesas.
Solução criada por quem vive o problema
Lucas vive em Portugal desde 2022, onde trabalha como desenvolvedor de software. A ideia de criar o sistema surgiu após enfrentar, ele próprio, a demora nas respostas da AIMA.
“Estive na AIMA em Lisboa no dia 20 de julho e ainda não recebi meu cartão. Hoje, não arrisco sair de Portugal”, relata. Sem previsão oficial e sem ferramentas governamentais para acompanhamento, ele decidiu desenvolver uma plataforma capaz de gerar estimativas baseadas no histórico dos próprios utilizadores.
Ferramenta colaborativa
O sistema não está ligado ao governo português. As informações são inseridas pelos usuários e, quanto maior o número de dados, mais precisas se tornam as métricas.
“Criei o software porque os imigrantes não têm uma ferramenta oficial para acompanhar os seus processos. A gente segue a lei, mas a AIMA não segue os próprios prazos. Como ficamos no escuro, tive a ideia de criar algo que desse um horizonte”, afirma.
A solução tornou-se um ponto de apoio para estrangeiros que aguardam regularização e que se sentem perdidos diante da falta de comunicação oficial. Em pouco tempo, o sistema atraiu milhares de consultas.
Lavras no mapa das inovações
Nascido e criado em Lavras, Lucas destaca que leva consigo o jeito lavrense de resolver problemas: “Minha formação e minha vida profissional começaram em Lavras. É bom ver que algo que criei aqui do outro lado do oceano está ajudando tanta gente.”
O sucesso da plataforma tem colocado Lavras em manchetes de veículos portugueses e na conversa de comunidades internacionais de imigrantes. O desenvolvedor, que se enquadra na categoria de trabalhador altamente qualificado, vê o reconhecimento como uma oportunidade de mostrar o potencial da tecnologia produzida por brasileiros — e, especialmente, por lavrenses.
“Eu trabalho, pago impostos, tenho amigos portugueses e adoro a comida daqui. Meu único problema é com a AIMA. Mas saber que meu projeto ajuda tanta gente já vale a pena”, diz.
A história de Lucas se soma a tantas outras de lavrenses que cruzam fronteiras levando talento, inovação e o nome da cidade cada vez mais longe.
















