sexta-feira , 18 setembro 2026
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Estação Costa Pinto chega ao centenário como símbolo da cidade

O historiador Vinícius Wilherm de Baskerville diante da Estação Costa Pinto, em Lavras.

Por Marco Bissoli

O prédio que atravessou diferentes momentos da história de Lavras completa cem anos em 2026. Inaugurada em 1º de setembro de 1926, a Estação Costa Pinto transportou passageiros, café, produtos agrícolas e até soldados que seguiram para os confrontos da Revolução Constitucionalista de 1932.

Para resgatar as memórias e o legado desse patrimônio ferroviário, o Curta Lavras conversou com o historiador e professor Vinícius Ferreira Batista, conhecido como Vinícius Wilherm de Baskerville. Pesquisador da história do Sul de Minas, ele destacou a importância da estação para o desenvolvimento econômico, social e urbano do município.

Estação Costa Pinto preserva memória da antiga ferrovia lavrense. 

Construída pela antiga Rede Sul Mineira na região do Bicame, a estação integrava o ramal ferroviário entre Lavras e Três Corações. A linha facilitava o transporte da produção agrícola do Sul e do Oeste de Minas e permitia conexões com outras regiões do país.

Por meio da malha ferroviária, os passageiros podiam seguir para cidades como São João del-Rei, São Paulo, Belo Horizonte e Aparecida do Norte. A estação aproximava comunidades, encurtava distâncias e representava uma das principais portas de entrada e saída de Lavras.

Ferrovia impulsionou crescimento da cidade

 

De cargas a passageiros, estação ajudou a desenvolver região.

Segundo Baskerville, a construção da ferrovia teve participação direta no desenvolvimento de Lavras. Além de facilitar o escoamento do café e de outros produtos agrícolas, os trilhos contribuíram para a chegada de trabalhadores, famílias e imigrantes que passaram a viver na cidade.

A localização da estação, em uma área elevada e considerada estratégica, também exigiu importantes intervenções de engenharia. Entre elas estava a construção de um túnel ferroviário nas proximidades do antigo Seminário Dehonista, permitindo a continuidade dos trilhos e a integração com outros trechos da malha regional.

Os trens não transportavam apenas mercadorias. Pelos vagões passaram famílias, estudantes, trabalhadores, comerciantes e pessoas que viajavam em busca de novas oportunidades. A movimentação em torno da estação ajudou a transformar a paisagem urbana e a impulsionar o povoamento de diferentes áreas do município.

 

“A estação resistiu a toda essa história ao longo dos anos. É um patrimônio que precisa ser preservado”, afirma o historiador.

Espaço foi testemunha de cem anos de transformações. 

Vinícius Wilherm de Baskerville é autor de pesquisas dedicadas à história de Lavras e de outros municípios do Sul de Minas. Entre suas obras estão Carrancas, Ingaí, Luminárias e São Bento Abade: O Deserto Dourado da Estrada Real, que aborda a formação dessas cidades, as antigas rotas coloniais e o Ciclo do Ouro.

Também escreveu Como Poderei Retribuir ao Senhor Deus?, biografia sobre a trajetória religiosa e social de Monsenhor Waldyr Henrique Mancini, e uma pesquisa biográfica e genealógica sobre a família Moura, de Luminárias.

 

Trilhos transportaram café, produtos agrícolas, famílias e soldados que seguiram para a Revolução Constitucionalista de 1932.

Soldados seguiram para a Revolução de 1932

Um dos capítulos marcantes ocorreu durante a Revolução Constitucionalista de 1932. A estação foi utilizada para o deslocamento de tropas do então 8º Batalhão da Força Pública de Minas Gerais, atual Polícia Militar, em direção à Serra da Mantiqueira.

Os militares mineiros participaram dos confrontos contra as tropas paulistas, especialmente na região de Passa Quatro. O túnel ferroviário daquele município permanece como um dos principais marcos dos combates ocorridos no Sul de Minas.

A passagem dos soldados reforça a importância estratégica da ferrovia naquele período. Além de passageiros e mercadorias, os trilhos também serviram às operações militares e acompanharam acontecimentos decisivos da história brasileira.

De Estação do Bicame a Costa Pinto

Soldados durante a Revolução Constitucionalista de 1932, na região da Serra da Mantiqueira.

Quando foi inaugurado, o prédio era conhecido como Estação do Bicame. Posteriormente, recebeu o nome de Estação Costa Pinto em homenagem ao médico e político lavrense Antônio da Costa Pinto, falecido em 1927.

Durante décadas, o local registrou intenso movimento de passageiros e cargas. Com as mudanças no sistema ferroviário brasileiro e a redução do transporte de passageiros, a estação perdeu sua função original, mas permaneceu como referência histórica e afetiva para a população.

Em 2006, o imóvel foi incluído entre os bens tombados do patrimônio cultural de Lavras. Mais do que uma antiga parada ferroviária, a Estação Costa Pinto guarda lembranças de encontros, despedidas, viagens e transformações que ajudaram a construir a identidade do município. O espaço abriga hoje um pequeno teatro, sendo mantido por uma ONG.

Ao completar cem anos, a Estação Costa Pinto permanece como testemunha das transformações vividas por Lavras. Preservar o prédio e suas histórias significa manter viva uma parte fundamental da memória ferroviária, social e cultural da cidade.

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