Leonel Antonio Pereira herdou o ofício do pai, fabrica carros de boi de forma artesanal e ajuda a preservar uma das maiores manifestações da cultura rural da região.
O som inconfundível do carro de boi voltará a ecoar pelas ruas de Macuco de Minas entre os dias 24 e 26 de julho, durante a 38ª Festa do Carro de Boi, evento que deve reunir cerca de 25 mil pessoas e contará com a participação de 95 carros de boi de Lavras e de diversas cidades da região.
Por trás dessa tradição centenária está o trabalho de pessoas como o sitiante Leonel Antonio Pereira, de 57 anos, que há quatro décadas dedica a vida à fabricação e ao conserto de carros de boi. O ofício foi herdado do pai, que percorria a região transportando cargas e pessoas, mantendo viva uma cultura que atravessa gerações.
No Sítio Angola, em Macuco de Minas, Leonel mantém uma pequena oficina onde produz artesanalmente cada carro de boi. O trabalho exige paciência, técnica e conhecimento. Segundo ele, um único veículo leva quase um mês para ficar pronto.
Cada modelo pode ser construído com madeiras, tamanhos e acabamentos diferentes. Dependendo das características, o valor varia entre R$ 12 mil e R$ 18 mil. Com a aproximação da festa, a procura aumenta e a oficina ganha ainda mais movimento.

Na oficina do Sítio Angola, em Macuco de Minas, o sitiante Leonel Antonio Pereira transforma madeira em tradição. Há 40 anos, ele fabrica e restaura carros de boi, preservando um ofício que atravessa gerações e mantém vivo um dos maiores símbolos da cultura rural mineira.
Na região, o verbo “carrear”, que significa transportar pessoas ou cargas, carrega um significado especial. Mais do que um antigo meio de transporte, o carro de boi tornou-se um símbolo da identidade rural e da cultura popular.
Cada carro possui sua própria cantiga. O tradicional “canto” ou “gemido” do carro de boi é produzido pelo atrito entre as peças de madeira, principalmente entre o eixo e a estrutura que sustenta as rodas. Como o veículo é construído praticamente todo em madeira, sem mecanismos metálicos para reduzir o atrito, o movimento gera vibrações que resultam no característico rangido, um dos sons mais marcantes da cultura rural brasileira.
Leonel lembra com emoção dos antigos carreiros que cruzavam a região durante a noite levando lenha ou milho do distrito do Rosário para Macuco de Minas. “À noite o ar fica parado e a cantiga dele fica mais bonita, e você escuta mais longe.”
Outra tradição preservada pela comunidade acontece durante a colheita do milho. Cerca de 14 carros de boi participam da chamada “puxada do milho”, transportando aproximadamente 24 balaios de milho por carro, em um trabalho coletivo que reforça os laços entre as famílias.

O sitiante Marcos Aureliano da Silva participa dos festejos 38ª Festa do Carro de Boi.
Apesar do orgulho em manter viva essa história, Leonel reconhece que a nova geração demonstra pouco interesse em aprender o ofício. “É uma alegria ver o carro que a gente produziu participando da festa.”
É justamente esse sentimento que faz da Festa do Carro de Boi muito mais do que um evento. Ela celebra a memória, o trabalho dos artesãos, a força dos carreiros e a preservação de uma tradição que continua emocionando moradores e visitantes.
A 38ª Festa do Carro de Boi é uma realização da Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer de Itumirim. A locução ficará por conta de Anderson Clayton.

Preços dos carros de bois fabricados pro artesão variam de R$ 12 mil a R$ 18 mil.
Programação
24 de julho (sexta-feira)
- 20h – Desfile da Princesa e escolha da Rainha da Festa;
- 21h – Show com Minas & Morai;
- 23h – Show com Safadão do Forró.
25 de julho (sábado)
- 20h – Final do desfile para escolha da Rainha da Festa;
- 22h – Show com Vinícius & Rufini;
- 0h15 – Show com Juninho Mattos.
26 de julho (domingo)
- 9h – Café da manhã;
- 11h – Santa Missa;
- Em seguida – Tradicional desfile dos 95 carros de boi;
- 12h30 – Show com Pedro Rodrigues;
- 14h – Show com Mariano & Carvalho.
















