Políticos da direita avaliam que o governador de São Paulo pode assumir protagonismo nacional; senadores como Rogério Marinho, Michelle Bolsonaro e Tereza Cristina são citados para organizar a oposição no Congresso.
A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, após a derrota para Lula (PT), abriu espaço para uma reorganização da direita. Integrantes do grupo ouvidos pela Folha de S.Paulo avaliam que o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pode assumir a liderança nacional da oposição.
Segundo relatos, antes da divulgação da carta de Flávio, a decisão de deixar o país era vista com compreensão por parte de políticos bolsonaristas, inclusive entre os mais moderados. Eles atribuíam a saída ao que consideram perseguição à direita. Após a publicação do documento, porém, políticos e partidos passaram a reiterar o respeito ao resultado das urnas.
Tarcísio afirmou que compreende a indignação de Flávio, mas defendeu que a eleição seja respeitada. O governador também pediu unidade à oposição e disse que a direita deve fiscalizar o governo. Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha de Flávio, declarou que não houve fraude na votação, embora tenha dito compreender o sentimento de injustiça do senador.
Congressistas ouvidos pela Folha avaliam que Flávio terá dificuldades para liderar a oposição enquanto estiver nos Estados Unidos. Mesmo reconhecendo que o senador deve manter influência sobre o grupo, eles afirmam que a atuação política diária no Congresso exigirá lideranças presentes no país.
Entre os nomes citados para organizar a oposição estão os senadores Rogério Marinho e Michelle Bolsonaro (PL-DF), além de Tereza Cristina (PP-MS). Parlamentares e governadores bolsonaristas também consideram estratégica a eleição do próximo presidente do Senado para articular a direita e fazer contraponto ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A ideia inicial era que Flávio acumulasse a liderança nacional do grupo e a articulação no Congresso. Na segunda-feira (26), ele foi aconselhado por Tarcísio, Marinho e integrantes da campanha a aceitar o resultado e abandonar o tom de contestação da eleição. Flávio chegou a divulgar um vídeo dizendo que entregaria os passaportes e que não pretendia sair do país, mas viajou no dia seguinte.
Após a saída do senador, Tarcísio publicou um vídeo em que destacou a votação da oposição e defendeu uma atuação unida e vigilante. Aliados disseram que o governador não sabia da viagem e ficou irritado com a mudança de postura de Flávio.
Marinho afirmou que não foi informado previamente sobre a saída do senador, mas disse considerá-la compreensível. Depois da divulgação da carta, voltou a negar que houvesse provas de fraude eleitoral. O senador e governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), também considerou compreensível a decisão de Flávio e criticou a apreensão de seu passaporte.
Fonte: Folha de S.Paulo
















