Aos 76 anos, escritora é reconhecida por uma obra experimental que mistura poesia, prosa, filosofia e referências à literatura clássica.
O Nobel de Literatura de 2026 foi concedido à poeta e ensaísta canadense Anne Carson, conforme anunciou a Academia Sueca na manhã desta quinta-feira (8).
A premiação consagra uma autora que, há pelo menos uma década, figurava entre as favoritas ao Nobel por seu trabalho inovador com a língua inglesa, marcado por uma escrita experimental profundamente ligada aos clássicos.
Seus livros recorrem frequentemente à literatura grega e latina, assim como a autores fundamentais da filosofia e da literatura inglesa. Sua produção desafia as fronteiras dos gêneros literários ao combinar poesia, prosa, ensaio, tradução e não ficção.
Durante o anúncio, o porta-voz do Nobel destacou que a arte de Carson mistura “a obsessão dos filólogos pelas palavras com a busca dos poetas por novos sentidos”.
Aos 76 anos, Carson é a terceira escritora nascida no Canadá a conquistar o prêmio, 13 anos depois de sua conterrânea Alice Munro, vencedora em 2013. Antes delas, Saul Bellow, nascido no Canadá e radicado nos Estados Unidos, recebeu a distinção em 1976.
A poeta também se torna a 19ª mulher a receber o Nobel de Literatura, concedido desde 1901. Sua escolha mantém um padrão informal observado desde 2018, de alternância entre escritores e escritoras.
A premiação reforça ainda a predominância da língua inglesa entre as obras reconhecidas pela Academia Sueca. A última poeta de língua inglesa premiada havia sido a norte-americana Louise Glück, em 2020. A língua portuguesa recebeu o Nobel de Literatura apenas uma vez, com o escritor português José Saramago, em 1998.
Uma obra marcada pela experimentação
O primeiro livro de Carson foi “Eros, o Doce-Amargo”, publicado em 1986 e reeditado em 1998. A obra investiga a natureza do desejo por meio de uma combinação de poesia, teoria e ensaio, tema recorrente em sua produção.
Desde então, a escritora publicou mais de 15 livros, desenvolvendo uma linguagem literária própria.
No campo da tradução, Carson é conhecida por transportar textos clássicos para o inglês contemporâneo, incorporando anacronismos e expressões coloquiais.
Em sua tradução de “Antígona”, peça do dramaturgo grego Sófocles, por exemplo, ela introduz um barco a motor na narrativa. A escolha ilustra sua maneira de questionar tanto as fronteiras do cânone literário quanto as convenções da tradução.
Obras publicadas no Brasil
Apesar de sua relevância internacional, Anne Carson começou a ser publicada no Brasil apenas em 2017, quando Vilma Arêas e Fernando Guimarães traduziram “O Método Albertine” para as Edições Jabuticaba.
Posteriormente, editoras brasileiras ampliaram a circulação de suas obras no país.
Entre os títulos publicados estão “Sobre Aquilo em que Eu Mais Penso” e “Autobiografia do Vermelho”, pela Editora 34; “Eros, o Doce-Amargo” e “A Beleza do Marido”, pela Bazar do Tempo; além de “Falas Curtas” e “Vidro, Ironia e Deus”, publicados pela Relicário.
O Nobel de Literatura de 2026 prevê uma premiação de 12 milhões de coroas suecas, valor equivalente a aproximadamente R$ 6 milhões.
Confira todos os vencedores do Nobel de Literatura, de 1901 a 2026
2020 a 2026
2026: Anne Carson (Canadá)
2025: László Krasznahorkai (Hungria)
2024: Han Kang (Coreia do Sul)
2023: Jon Fosse (Noruega)
2022: Annie Ernaux (França)
2021: Abdulrazak Gurnah (Tanzânia)
2020: Louise Glück (Estados Unidos)
2010 a 2019
2019: Peter Handke (Áustria)
2018: Olga Tokarczuk (Polônia)
2017: Kazuo Ishiguro (Reino Unido)
2016: Bob Dylan (Estados Unidos)
2015: Svetlana Aleksiévitch (Bielorrússia)
2014: Patrick Modiano (França)
2013: Alice Munro (Canadá)
2012: Mo Yan (China)
2011: Tomas Tranströmer (Suécia)
2010: Mario Vargas Llosa (Peru)
2000 a 2009
2009: Herta Müller (Romênia/Alemanha)
2008: J. M. G. Le Clézio (França)
2007: Doris Lessing (Reino Unido)
2006: Orhan Pamuk (Turquia)
2005: Harold Pinter (Reino Unido)
2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
2003: J. M. Coetzee (África do Sul)
2002: Imre Kertész (Hungria)
2001: V. S. Naipaul (Trinidad e Tobago/Reino Unido)
2000: Gao Xingjian (China/França)
1990 a 1999
1999: Günter Grass (Alemanha)
1998: José Saramago (Portugal)
1997: Dario Fo (Itália)
1996: Wisława Szymborska (Polônia)
1995: Seamus Heaney (Irlanda)
1994: Kenzaburo Oe (Japão)
1993: Toni Morrison (Estados Unidos)
1992: Derek Walcott (Santa Lúcia)
1991: Nadine Gordimer (África do Sul)
1990: Octavio Paz (México)
1980 a 1989
1989: Camilo José Cela (Espanha)
1988: Naguib Mahfouz (Egito)
1987: Joseph Brodsky (Estados Unidos, de origem russa)
1986: Wole Soyinka (Nigéria)
1985: Claude Simon (França)
1984: Jaroslav Seifert (Tchecoslováquia)
1983: William Golding (Reino Unido)
1982: Gabriel García Márquez (Colômbia)
1981: Elias Canetti (Reino Unido, de origem búlgara)
1980: Czesław Miłosz (Polônia)
1970 a 1979
1979: Odysseus Elytis (Grécia)
1978: Isaac Bashevis Singer (Estados Unidos, de origem polonesa)
1977: Vicente Aleixandre (Espanha)
1976: Saul Bellow (Estados Unidos, nascido no Canadá)
1975: Eugenio Montale (Itália)
1974: Eyvind Johnson e Harry Martinson (Suécia)
1973: Patrick White (Austrália)
1972: Heinrich Böll (Alemanha)
1971: Pablo Neruda (Chile)
1970: Aleksandr Soljenítsin (União Soviética)
1960 a 1969
1969: Samuel Beckett (Irlanda)
1968: Yasunari Kawabata (Japão)
1967: Miguel Ángel Asturias (Guatemala)
1966: Samuel Joseph Agnon (Israel) e Nelly Sachs (Alemanha/Suécia)
1965: Mikhail Sholokhov (União Soviética)
1964: Jean-Paul Sartre (França) — recusou o prêmio
1963: Giórgos Seféris (Grécia)
1962: John Steinbeck (Estados Unidos)
1961: Ivo Andrić (Iugoslávia)
1960: Saint-John Perse (França)
1950 a 1959
1959: Salvatore Quasimodo (Itália)
1958: Boris Pasternak (União Soviética) — foi obrigado a recusar o prêmio
1957: Albert Camus (França)
1956: Juan Ramón Jiménez (Espanha)
1955: Halldór Kiljan Laxness (Islândia)
1954: Ernest Hemingway (Estados Unidos)
1953: Winston Churchill (Reino Unido)
1952: François Mauriac (França)
1951: Pär Lagerkvist (Suécia)
1950: Bertrand Russell (Reino Unido)
1940 a 1949
1949: William Faulkner (Estados Unidos)
1948: T. S. Eliot (Reino Unido, nascido nos Estados Unidos)
1947: André Gide (França)
1946: Hermann Hesse (Alemanha/Suíça)
1945: Gabriela Mistral (Chile)
1944: Johannes V. Jensen (Dinamarca)
1940 a 1943: Prêmio não concedido
1930 a 1939
1939: Frans Eemil Sillanpää (Finlândia)
1938: Pearl S. Buck (Estados Unidos)
1937: Roger Martin du Gard (França)
1936: Eugene O’Neill (Estados Unidos)
1935: Prêmio não concedido
1934: Luigi Pirandello (Itália)
1933: Ivan Bunin (Rússia)
1932: John Galsworthy (Reino Unido)
1931: Erik Axel Karlfeldt (Suécia)
1930: Sinclair Lewis (Estados Unidos)
1920 a 1929
1929: Thomas Mann (Alemanha)
1928: Sigrid Undset (Noruega)
1927: Henri Bergson (França)
1926: Grazia Deledda (Itália)
1925: George Bernard Shaw (Irlanda)
1924: Władysław Reymont (Polônia)
1923: W. B. Yeats (Irlanda)
1922: Jacinto Benavente (Espanha)
1921: Anatole France (França)
1920: Knut Hamsun (Noruega)
1910 a 1919
1919: Carl Spitteler (Suíça)
1918: Prêmio não concedido
1917: Karl Gjellerup e Henrik Pontoppidan (Dinamarca)
1916: Verner von Heidenstam (Suécia)
1915: Romain Rolland (França)
1914: Prêmio não concedido
1913: Rabindranath Tagore (Índia)
1912: Gerhart Hauptmann (Alemanha)
1911: Maurice Maeterlinck (Bélgica)
1910: Paul Heyse (Alemanha)
1901 a 1909
1909: Selma Lagerlöf (Suécia)
1908: Rudolf Eucken (Alemanha)
1907: Rudyard Kipling (Reino Unido)
1906: Giosuè Carducci (Itália)
1905: Henryk Sienkiewicz (Polônia)
1904: Frédéric Mistral (França) e José Echegaray (Espanha)
1903: Bjørnstjerne Bjørnson (Noruega)
1902: Theodor Mommsen (Alemanha)
1901: Sully Prudhomme (França)
















