quinta-feira , 8 outubro 2026
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Nobel de Literatura premia Anne Carson, canadense que renovou a língua inglesa

Aos 76 anos, escritora é reconhecida por uma obra experimental que mistura poesia, prosa, filosofia e referências à literatura clássica.

O Nobel de Literatura de 2026 foi concedido à poeta e ensaísta canadense Anne Carson, conforme anunciou a Academia Sueca na manhã desta quinta-feira (8).

A premiação consagra uma autora que, há pelo menos uma década, figurava entre as favoritas ao Nobel por seu trabalho inovador com a língua inglesa, marcado por uma escrita experimental profundamente ligada aos clássicos.

Seus livros recorrem frequentemente à literatura grega e latina, assim como a autores fundamentais da filosofia e da literatura inglesa. Sua produção desafia as fronteiras dos gêneros literários ao combinar poesia, prosa, ensaio, tradução e não ficção.

Durante o anúncio, o porta-voz do Nobel destacou que a arte de Carson mistura “a obsessão dos filólogos pelas palavras com a busca dos poetas por novos sentidos”.

Aos 76 anos, Carson é a terceira escritora nascida no Canadá a conquistar o prêmio, 13 anos depois de sua conterrânea Alice Munro, vencedora em 2013. Antes delas, Saul Bellow, nascido no Canadá e radicado nos Estados Unidos, recebeu a distinção em 1976.

A poeta também se torna a 19ª mulher a receber o Nobel de Literatura, concedido desde 1901. Sua escolha mantém um padrão informal observado desde 2018, de alternância entre escritores e escritoras.

A premiação reforça ainda a predominância da língua inglesa entre as obras reconhecidas pela Academia Sueca. A última poeta de língua inglesa premiada havia sido a norte-americana Louise Glück, em 2020. A língua portuguesa recebeu o Nobel de Literatura apenas uma vez, com o escritor português José Saramago, em 1998.

Uma obra marcada pela experimentação

O primeiro livro de Carson foi “Eros, o Doce-Amargo”, publicado em 1986 e reeditado em 1998. A obra investiga a natureza do desejo por meio de uma combinação de poesia, teoria e ensaio, tema recorrente em sua produção.

Desde então, a escritora publicou mais de 15 livros, desenvolvendo uma linguagem literária própria.

No campo da tradução, Carson é conhecida por transportar textos clássicos para o inglês contemporâneo, incorporando anacronismos e expressões coloquiais.

Em sua tradução de “Antígona”, peça do dramaturgo grego Sófocles, por exemplo, ela introduz um barco a motor na narrativa. A escolha ilustra sua maneira de questionar tanto as fronteiras do cânone literário quanto as convenções da tradução.

Obras publicadas no Brasil

Apesar de sua relevância internacional, Anne Carson começou a ser publicada no Brasil apenas em 2017, quando Vilma Arêas e Fernando Guimarães traduziram “O Método Albertine” para as Edições Jabuticaba.

Posteriormente, editoras brasileiras ampliaram a circulação de suas obras no país.

Entre os títulos publicados estão “Sobre Aquilo em que Eu Mais Penso” e “Autobiografia do Vermelho”, pela Editora 34; “Eros, o Doce-Amargo” e “A Beleza do Marido”, pela Bazar do Tempo; além de “Falas Curtas” e “Vidro, Ironia e Deus”, publicados pela Relicário.

O Nobel de Literatura de 2026 prevê uma premiação de 12 milhões de coroas suecas, valor equivalente a aproximadamente R$ 6 milhões.

Confira todos os vencedores do Nobel de Literatura, de 1901 a 2026

2020 a 2026

  • 2026: Anne Carson (Canadá)

  • 2025: László Krasznahorkai (Hungria)

  • 2024: Han Kang (Coreia do Sul)

  • 2023: Jon Fosse (Noruega)

  • 2022: Annie Ernaux (França)

  • 2021: Abdulrazak Gurnah (Tanzânia)

  • 2020: Louise Glück (Estados Unidos)

2010 a 2019

  • 2019: Peter Handke (Áustria)

  • 2018: Olga Tokarczuk (Polônia)

  • 2017: Kazuo Ishiguro (Reino Unido)

  • 2016: Bob Dylan (Estados Unidos)

  • 2015: Svetlana Aleksiévitch (Bielorrússia)

  • 2014: Patrick Modiano (França)

  • 2013: Alice Munro (Canadá)

  • 2012: Mo Yan (China)

  • 2011: Tomas Tranströmer (Suécia)

  • 2010: Mario Vargas Llosa (Peru)

2000 a 2009

  • 2009: Herta Müller (Romênia/Alemanha)

  • 2008: J. M. G. Le Clézio (França)

  • 2007: Doris Lessing (Reino Unido)

  • 2006: Orhan Pamuk (Turquia)

  • 2005: Harold Pinter (Reino Unido)

  • 2004: Elfriede Jelinek (Áustria)

  • 2003: J. M. Coetzee (África do Sul)

  • 2002: Imre Kertész (Hungria)

  • 2001: V. S. Naipaul (Trinidad e Tobago/Reino Unido)

  • 2000: Gao Xingjian (China/França)

1990 a 1999

  • 1999: Günter Grass (Alemanha)

  • 1998: José Saramago (Portugal)

  • 1997: Dario Fo (Itália)

  • 1996: Wisława Szymborska (Polônia)

  • 1995: Seamus Heaney (Irlanda)

  • 1994: Kenzaburo Oe (Japão)

  • 1993: Toni Morrison (Estados Unidos)

  • 1992: Derek Walcott (Santa Lúcia)

  • 1991: Nadine Gordimer (África do Sul)

  • 1990: Octavio Paz (México)

1980 a 1989

  • 1989: Camilo José Cela (Espanha)

  • 1988: Naguib Mahfouz (Egito)

  • 1987: Joseph Brodsky (Estados Unidos, de origem russa)

  • 1986: Wole Soyinka (Nigéria)

  • 1985: Claude Simon (França)

  • 1984: Jaroslav Seifert (Tchecoslováquia)

  • 1983: William Golding (Reino Unido)

  • 1982: Gabriel García Márquez (Colômbia)

  • 1981: Elias Canetti (Reino Unido, de origem búlgara)

  • 1980: Czesław Miłosz (Polônia)

1970 a 1979

  • 1979: Odysseus Elytis (Grécia)

  • 1978: Isaac Bashevis Singer (Estados Unidos, de origem polonesa)

  • 1977: Vicente Aleixandre (Espanha)

  • 1976: Saul Bellow (Estados Unidos, nascido no Canadá)

  • 1975: Eugenio Montale (Itália)

  • 1974: Eyvind Johnson e Harry Martinson (Suécia)

  • 1973: Patrick White (Austrália)

  • 1972: Heinrich Böll (Alemanha)

  • 1971: Pablo Neruda (Chile)

  • 1970: Aleksandr Soljenítsin (União Soviética)

1960 a 1969

  • 1969: Samuel Beckett (Irlanda)

  • 1968: Yasunari Kawabata (Japão)

  • 1967: Miguel Ángel Asturias (Guatemala)

  • 1966: Samuel Joseph Agnon (Israel) e Nelly Sachs (Alemanha/Suécia)

  • 1965: Mikhail Sholokhov (União Soviética)

  • 1964: Jean-Paul Sartre (França) — recusou o prêmio

  • 1963: Giórgos Seféris (Grécia)

  • 1962: John Steinbeck (Estados Unidos)

  • 1961: Ivo Andrić (Iugoslávia)

  • 1960: Saint-John Perse (França)

1950 a 1959

  • 1959: Salvatore Quasimodo (Itália)

  • 1958: Boris Pasternak (União Soviética) — foi obrigado a recusar o prêmio

  • 1957: Albert Camus (França)

  • 1956: Juan Ramón Jiménez (Espanha)

  • 1955: Halldór Kiljan Laxness (Islândia)

  • 1954: Ernest Hemingway (Estados Unidos)

  • 1953: Winston Churchill (Reino Unido)

  • 1952: François Mauriac (França)

  • 1951: Pär Lagerkvist (Suécia)

  • 1950: Bertrand Russell (Reino Unido)

1940 a 1949

  • 1949: William Faulkner (Estados Unidos)

  • 1948: T. S. Eliot (Reino Unido, nascido nos Estados Unidos)

  • 1947: André Gide (França)

  • 1946: Hermann Hesse (Alemanha/Suíça)

  • 1945: Gabriela Mistral (Chile)

  • 1944: Johannes V. Jensen (Dinamarca)

  • 1940 a 1943: Prêmio não concedido

1930 a 1939

  • 1939: Frans Eemil Sillanpää (Finlândia)

  • 1938: Pearl S. Buck (Estados Unidos)

  • 1937: Roger Martin du Gard (França)

  • 1936: Eugene O’Neill (Estados Unidos)

  • 1935: Prêmio não concedido

  • 1934: Luigi Pirandello (Itália)

  • 1933: Ivan Bunin (Rússia)

  • 1932: John Galsworthy (Reino Unido)

  • 1931: Erik Axel Karlfeldt (Suécia)

  • 1930: Sinclair Lewis (Estados Unidos)

1920 a 1929

  • 1929: Thomas Mann (Alemanha)

  • 1928: Sigrid Undset (Noruega)

  • 1927: Henri Bergson (França)

  • 1926: Grazia Deledda (Itália)

  • 1925: George Bernard Shaw (Irlanda)

  • 1924: Władysław Reymont (Polônia)

  • 1923: W. B. Yeats (Irlanda)

  • 1922: Jacinto Benavente (Espanha)

  • 1921: Anatole France (França)

  • 1920: Knut Hamsun (Noruega)

1910 a 1919

  • 1919: Carl Spitteler (Suíça)

  • 1918: Prêmio não concedido

  • 1917: Karl Gjellerup e Henrik Pontoppidan (Dinamarca)

  • 1916: Verner von Heidenstam (Suécia)

  • 1915: Romain Rolland (França)

  • 1914: Prêmio não concedido

  • 1913: Rabindranath Tagore (Índia)

  • 1912: Gerhart Hauptmann (Alemanha)

  • 1911: Maurice Maeterlinck (Bélgica)

  • 1910: Paul Heyse (Alemanha)

1901 a 1909

  • 1909: Selma Lagerlöf (Suécia)

  • 1908: Rudolf Eucken (Alemanha)

  • 1907: Rudyard Kipling (Reino Unido)

  • 1906: Giosuè Carducci (Itália)

  • 1905: Henryk Sienkiewicz (Polônia)

  • 1904: Frédéric Mistral (França) e José Echegaray (Espanha)

  • 1903: Bjørnstjerne Bjørnson (Noruega)

  • 1902: Theodor Mommsen (Alemanha)

  • 1901: Sully Prudhomme (França)

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