Gracindo Júnior durante gravação da novela “Esplendor”, da Globo – Divulgação.
Morreu na noite desta terça-feira (1º), aos 83 anos, o ator e diretor Gracindo Júnior, conhecido por papéis em novelas como “O Casarão”, “Dona Beija” e “O Salvador da Pátria”. A morte foi confirmada pelo amigo Leonardo Brício, também ator e diretor.
Ele morreu em casa, no Rio de Janeiro, ao lado dos filhos e da mulher. A causa da morte não foi informada.
Um homem está posando para a foto, vestindo um paletó branco e uma gravata listrada em tons de marrom e creme. Ele tem cabelo escuro e usa um olhar sério. O fundo é desfocado, mas é possível ver algumas flores e uma janela. O homem segura um par de óculos com as duas mãos.
“Ontem, um pouco antes das 22h, meu amigo amado deu seu último suspiro, e quis Deus que eu estivesse ao lado dos seus filhos de sangue e de sua esposa nesse exato momento. Amigo, só posso te dizer que você foi e será sempre muito amado”, escreveu ele nas redes sociais.
“Foram muitos encontros, caminhadas, almoços, e muito carinho e admiração. Veio daí ‘Rei Davi’ e você foi meu rei Saul. Depois nos encontrávamos com o pretexto de fazermos um projeto de teatro e você queria que eu dirigisse. Enfim, não rolou, mas os encontros pra isso rendiam tardes inesquecíveis para mim que ficarão guardados. Obrigado, amigo”, continuou Brício.
Nascido no Rio de Janeiro, ele era filho do também ator Paulo Gracindo. O artista deu os primeiros passos na carreira no final da década de 1950, quando fez um teste para trabalhar na Rádio Nacional. À época, seu pai vivia o auge da popularidade na emissora, encarnando galãs em radionovelas. Em 1961, Gracindo estreou nos palcos na peça “A Escada”.
Além da atuação artística, ele também tinha proximidade com questões políticas por ser militante do Partido Comunista. Pouco após o golpe militar, o ator foi cassado pela ditadura e proibido de trabalhar no rádio.
Ele já havia tido passagens por canais como TV Rio, TV Excelsior e TV Tupi. A partir do golpe, ele se voltou ainda mais para esse veículo de comunicação, que ainda era embrionário no Brasil.
Em 1964, o artista foi um dos primeiros contratados da TV Globo, emissora que entraria no ar no ano seguinte. O seu primeiro papel no canal foi Felipe, na novela “A Moreninha”. Em seguida, participou de tramas como “Padre Tião”, de 1965, “A Rainha Louca”, de 1967, e “A Próxima Atração”, de 1970.
Em 1973, ele atuou com o pai na novela “O Bem-Amado”, considerada um dos clássicos da teledramaturgia brasileira. Escrita por Dias Gomes, a trama conta a história de Odorico Paraguaçu, um prefeito sem escrúpulos vivido por Paulo Gracindo.
“Eu acho que o que eu mais aprendi com o meu pai foi responsabilidade no meu trabalho, estima pelo meu trabalho, saber que meu trabalho é uma coisa muito importante”, disse Gracindo Júnior, ao projeto Memória Globo. “Meu pai trabalhou 65 anos e nunca me lembro dele não tendo feito sucesso, em qualquer área de comunicação.”
Um dos maiores sucessos de sua carreira viria em 1976, quando ele participou da novela “O Casarão”, da TV Globo. Na trama, que se passava em diferentes tempos históricos, ele dividia o mesmo papel com o pai. Enquanto Gracindo Júnior viveu o personagem na juventude, Paulo Gracindo encarnou a sua versão mais velha.
Além do trabalho como ator, o artista também exerceu funções importantes atrás das câmeras. Em 1978, passou a supervisionar o núcleo de novelas das 18h da TV Globo. No ano seguinte, dirigiu as novelas “Memórias de Amor”, de Wilson Aguiar Filho, e “Marron-Glacé”, de Cassiano Gabus Mendes.
Em 1981, ele atuou nas novelas “Jogo da Vida”, de Silvio de Abreu. Já em 1982, participou da minissérie “Quem Ama Não Mata”, de Euclydes Marinho. Após dirigir “Os Trapalhões” e os primeiros clipes musicais do Fantástico, ele decidiu ir para a TV Manchete em 1984.
Na emissora, participou da novela “Dona Beija”, trama que se tornou um sucesos de audiência. Pouco depois, porém, voltou para a TV Globo, onde atuaria em novelas como “Deus nos Acuda”, “O Salvador da Pátria”, “Explode Coração”, “Rainha da Sucata” e “Celebridade”.
A sua última novela da emissora foi “Como Uma Onda”, de 2004. A partir de 2006, passou a atuar na Record. Na emissora, integrou o elenco de obras como “Cidadão Brasileiro”, “Luz do Sol”, “Poder Paralelo” e “Rei Davi”. Gracindo Júnior estava afastado das telas há cerca de oito anos.
















