Conselho Municipal de Políticas de Igualdade Racial homenageia Giselle Barbosa por sua trajetória de preservação da cultura afro-brasileira em Lavras.
Por Giselle, Presidente do Instituto Phos
O Conselho Municipal de Políticas de Igualdade Racial de Lavras prestou, no dia 24 de julho de 2026, uma homenagem à líder cultural Giselle Barbosa durante a cerimônia “Mulheres Negras são Ancestralidades Vivas”. A honraria reconheceu sua trajetória de vida e sua expressiva contribuição para a preservação da memória, da cultura, da resistência e da luta da população negra no município.
A homenagem também destacou os saberes tradicionais, a atuação e o legado de Giselle Barbosa como capitã do Moçambique de São Benedito da Família Barbosa e organizadora da Festa em Louvor a Nossa Senhora do Rosário, celebração que integra o patrimônio cultural e religioso de Lavras.
Mulher negra e guardiã de uma tradição centenária, Giselle Barbosa carrega, ao lado de seu pai e de sua filha, o legado construído por sucessivas gerações da Família Barbosa nas Companhias de Reis e no Moçambique, mantendo viva uma herança cultural transmitida de pais para filhos há mais de um século.
A cerimônia foi marcada por um momento de forte simbolismo. Giselle recebeu a homenagem vestindo as tradicionais indumentárias do Moçambique de São Benedito da Família Barbosa, incluindo as campanhas presas aos tornozelos. As campanhas são instrumentos de percussão compostos por uma correia de couro com pequenas latas contendo chumbinhos, que produzem um som característico durante a dança e o cortejo.

Mais do que um elemento musical, as campanhas possuem profundo significado histórico. Seu som remete aos grilhões utilizados para aprisionar pessoas negras escravizadas, ressignificando o ruído da opressão em expressão de fé, resistência, identidade e celebração da ancestralidade afro-brasileira.
Antes de receber a homenagem, Giselle Barbosa realizou o tradicional movimento de balançar as campanhas, evocando a memória do sofrimento dos seus ancestrais negros que foram submetidos à escravidão e obrigados a caminhar com pesadas correntes de ferro presas aos pés. O gesto emocionou os presentes e reafirmou o compromisso de manter viva a memória daqueles que resistiram e preservaram sua cultura mesmo diante da violência da escravidão.
Para a presidente do Instituto Phos, a homenagem transcende o reconhecimento individual e valoriza uma história construída coletivamente ao longo de gerações.
“Essa homenagem foi muito merecida. Ao homenagear Giselle Barbosa, o Conselho Municipal de Políticas de Igualdade Racial também homenageou um legado geracional de uma família que, há mais de um século, é guardiã e difusora da cultura afro-brasileira em Lavras. O reconhecimento evidencia a importância de preservar e valorizar aqueles que mantêm viva a memória, a religiosidade e as tradições que formam a identidade cultural do nosso município.” – Giselle, presidente do Instituto Phos.
















