Morreu aos 73 anos, no domingo (6 de setembro de 2026), o jornalista e crítico musical Okky de Souza, um dos nomes de destaque do jornalismo cultural brasileiro. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (7) pelo jornalista e apresentador de podcast Sérgio Martins, nas redes sociais.
Segundo informações da família, Okky sofreu uma parada cardíaca. Ele deixa a esposa, Elenita, com quem era casado desde 2008, uma filha e um enteado. O velório foi realizado nesta segunda-feira, em São Paulo.
Nascido Octavio Chaves de Souza, em Londres, em 27 de novembro de 1952, Okky tinha dupla nacionalidade, brasileira e britânica. Sua carreira foi marcada principalmente pela cobertura da música e pela divulgação do rock brasileiro na imprensa.
Trajetória na imprensa
Okky participou da primeira edição brasileira da revista Rolling Stone, publicada no início dos anos 1970. Entre 1972 e 1973, chegou a traduzir textos da edição norte-americana da publicação.
Na segunda metade da década de 1970, trabalhou na revista Pop, da Editora Abril. Em 1981, ingressou na revista Veja, onde permaneceu até 2015, construindo uma longa trajetória como repórter, crítico, editor e posteriormente editor-executivo.
Na Veja, destacou-se especialmente na cobertura musical e acompanhou de perto a transformação do rock brasileiro. Entre os artistas que entrevistou e perfilou estavam nomes como Rita Lee, Roberto de Carvalho e Barão Vermelho.
Em 1983, assinou uma reportagem de capa da Veja sobre Rita Lee e Roberto de Carvalho, em um momento de grande expansão dos shows de música brasileira. O trabalho também analisava a maneira como Rita incorporava elementos da cultura brasileira ao rock.
Presença histórica no Rock in Rio
O jornalista também esteve na cobertura da primeira edição do Rock in Rio, em 1985, acompanhando um dos acontecimentos que marcaram a história da música no país.
Curiosamente, sua morte ocorreu durante a realização da 11ª edição do festival, no Rio de Janeiro, encerrando uma trajetória profissional profundamente ligada à música brasileira.
Além da crítica musical, Okky realizou entrevistas com grandes nomes da música internacional. Entre seus trabalhos, estão entrevistas com Mick Jagger e Tina Turner, além de coberturas de diferentes áreas da cultura e do entretenimento.
A biografia de Roberto Carlos que nunca chegou às livrarias
Um dos episódios mais conhecidos da carreira de Okky aconteceu em 2000, quando ele foi escolhido pelo próprio Roberto Carlos para escrever a biografia oficial do cantor.
O projeto surgiu em um período em que Roberto Carlos havia conseguido impedir judicialmente a circulação de uma biografia não autorizada. A intenção era que o próprio cantor contasse sua história, com Okky atuando como ghost-writer.
Na época, o jornalista explicou à Folha que escreveria a obra, mas que o autor seria oficialmente o próprio Roberto Carlos. O livro, entretanto, nunca chegou às livrarias.
A escolha de Okky para o projeto refletia a confiança conquistada ao longo de sua carreira como jornalista especializado em música e cultura.
Também atuou como compositor e escritor
A relação de Okky com a música ultrapassou o jornalismo. Ele também atuou como compositor e colaborou com o cantor e compositor Guilherme Arantes na música Sol do Meio Dia, lançada em 1982. Após a notícia da morte, Arantes publicou uma homenagem ao jornalista.
Como escritor, Okky assinou ainda o livro “São Paulo, 450 Anos Luz: A Redescoberta de uma Cidade”, publicado em 2003. A obra recebeu menção honrosa no Prêmio Jabuti de 2004, na categoria Didático e Paradidático de Ensino Fundamental e Médio.
Apesar de ter se tornado uma referência na área cultural, Okky também exerceu funções editoriais em outras áreas do jornalismo. Na Veja, chegou a comandar a editoria de Geral, coordenando reportagens sobre temas como ciência, religião, comportamento, meio ambiente e questões urbanas.
A carreira iniciada ainda nos anos 1970 deixou uma marca especialmente importante na cobertura da música brasileira e na consolidação do rock nacional como fenômeno cultural acompanhado pela grande imprensa.
Okky de Souza deixa um legado de décadas dedicadas ao jornalismo, à música e à cultura brasileira.
















