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Documentário resgata história de líder quilombola ligado a Lavras

Gravações do documentário destacam cenários de Lavras e região. 

Uma parte importante e ainda pouco conhecida da história do passado escravocrata brasileiro está prestes a ser redescoberta com o lançamento do documentário “Ambrósio, rei do Campo Grande: o rei esquecido de uma história roubada que ainda ecoa”.

O filme, dirigido pelo cineasta Bruno Maia, aborda a trajetória de Ambrósio, líder dos quilombos do Campo Grande, que teria comandado milhares de quilombolas nas Minas Gerais do século XVIII contra a Coroa Portuguesa, em nome da liberdade de seu povo. A obra terá sua primeira exibição gratuita no próximo dia 16 de abril, às 19h30, na Casa da Cultura.

Ainda no século XVIII, o nome de Ambrósio tornou-se grandioso: inspirou medo e admiração, figurou em poemas, batizou regiões, córregos e serras. Foi chamado de rei por alguns, de pai por outros e, para muitos, tornou-se o célebre Ambrósio.

O projeto ganha relevância ao trazer à tona também a figura do bandeirante português Diogo Bueno da Fonseca, responsável pela fundação da cidade de Lavras, que, ao lado de Bartolomeu Bueno do Prado, liderou a maior campanha contra os quilombos do Campo Grande em meados do século XVIII, perseguindo o líder Ambrósio. O quilombo estava localizado na região do atual município de Ibiá (MG).

Pesquisa e memória popular fundamentam a produção.

Maia destaca que a obra é fruto de uma séria e minuciosa pesquisa, baseada em fontes primárias e secundárias, mapas de época, obras históricas clássicas, além de estudos contemporâneos e da memória popular. “O filme traz ao grande público essa saga que foi ocultada do povo mineiro e de todo o Brasil por quase 300 anos, além de suscitar reflexões sobre temas ainda atuais, como a luta no campo, o preconceito racial, a violência simbólica e a reparação histórica”, ressalta o diretor.

O documentário foi rodado em localidades diretamente ligadas aos quilombos do Campo Grande e ao líder Ambrósio, como Cristais, Ibiá, Lavras, São João del-Rei, Prados e Formiga, e conta com dezenas de ilustrações originais do artista Thiago Brito, que ganham vida por meio de animação. A trilha sonora é assinada por Bruno Maia e Ivan Vilela. O projeto foi viabilizado por meio da Lei Paulo Gustavo, edital nº 02/2023 – Apoio às Produções Audiovisuais Mineiras.

O diretor Bruno Maia estará presente na sessão de estreia, na Casa da Cultura, e, após a exibição, apresentará ao público detalhes da pesquisa, da produção e da história de Ambrósio.

Obra propõe reflexão sobre escravidão e reparação histórica.

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