Rua Nascimento Silva, 378, no bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro. Um endereço eterno.
Por Marco Bissoli
Na Rua Nascimento Silva, no coração de Ipanema (RJ), a mansarda do poeta resiste ao tempo. Não apenas pela memória afetiva de fãs e gerações, mas também porque foi tombada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, reconhecida oficialmente como parte do patrimônio cultural da cidade.
Um pouco dele ainda habita aquele espaço, mas sua música — gigantesca e imortal — segue atravessando gerações, em busca da eternidade.
No número 378, Renato Manfredini Júnior, o eterno Renato Russo, viveu entre 1990 e 1996.
O apartamento, com 136 m², no segundo andar, três quartos, guarda mais do que paredes e janelas: abriga silêncios, versos e canções que ajudaram a formar uma geração. Foi ali que a cidade decidiu fincar um marco, não para congelar o passado, mas para preservá-lo.
Sou também um filho da sua revolução. Devorei suas letras, suas canções. Fui discípulo da religião urbana Legio Omnia Vincit. Suas palavras me formaram quando eu ainda aprendia a entender o mundo.
Neste sábado, ao celebrar 51 primaveras, passei pela primeira vez diante do prédio. Não era apenas para registrar uma selfie. Era para tentar encontrar vestígios de um amigo, de um irmão mais velho — alguém que nunca conheci, mas que sempre esteve presente.
Ali, parado na calçada, ficou claro: algumas casas viram patrimônio. Outras, eternidade.
















