Escritos de Paulo Leminski encontrados serão entregues à família em cerimônia na BPP
Foto: Dico Kremer
Textos inéditos escritos pelo paranaense Paulo Leminski, que ficaram guardados por 44 anos, vão voltar para a família do escritor. O caso é inusitado. Os textos foram esquecidos pelo próprio Leminski dentro de um avião. A entrega do material acontece na Biblioteca Pública do Paraná (BPP), no dia 18 de março, próxima quarta-feira.
Mais de quatro décadas depois, sua filha Caroline de Paula, ao perceber o que o pai havia guardado, procurou o jornalista Célio Martins, que a ajudou na verificação de autenticidade do material, com confirmação da família.
Leminski fazia a viagem Curitiba/São Paulo e esqueceu os escritos na poltrona da aeronave. Entre os achados estão poemas, anotações e a tradução para o inglês de uma música de Gilberto Gil, “Esotérico”, além do cartão de embarque, que ficou no meio dos escritos.
O diretor da Biblioteca Pública do Paraná, Luiz Felipe Leprevost, relembra o fato de que o escritor era um frequentador assíduo da instituição.
“No mês em que a Biblioteca Pública do Paraná completa 169 anos, acontece essa solenidade de entrega de textos de Leminski, que frequentava muito a BPP. Ficamos muito felizes de poder participar deste momento tão significativo”, afirma.
Os textos encontrados são exercícios literários de Leminski, como esboços, rascunhos, ideias, alguns manuscritos e outros datilografados, com anotações, etc. Aurea Leminski, filha do escritor, ressalta que não há material inédito encontrado.
A escritora e compositora Estrela Leminski destaca as características de seu pai. “O envelope mostra o jeito de produzir dele, um pouco de tudo, música, poesia, ideias, tudo ao mesmo tempo. Vai ser importante para o acervo, para a memória cultural brasileira, além de ser uma história muito curiosa”, diz.
Célio Martins reforça a importância da descoberta. “Achados originais de figuras importantes do mundo da literatura são acontecimentos incríveis. No caso dos escritos do Leminski, esquecidos nas alturas, em um avião, é algo fantástico. Não pode ficar num papel ou numa tela em branco”, diz.
















