O multi-instrumentista alagoano Hermeto Pascoal morreu neste sábado (13), aos 89 anos, no Hospital Samaritano Barra, na zona sudoeste do Rio de Janeiro, em decorrência de falência múltipla dos órgãos. A informação foi confirmada em nota pela unidade de saúde e divulgada nas redes sociais do músico.
“Com serenidade e amor, comunicamos que Hermeto Pascoal fez sua passagem para o plano espiritual, cercado pela família e por companheiros de música”, diz a mensagem. “No exato momento da passagem, seu Grupo estava no palco, como ele gostaria: fazendo som e música. Como ele sempre nos ensinou, não deixemos a tristeza tomar conta: escutemos o vento, o canto dos pássaros, o copo d’água, a cachoeira, a música universal segue viva”.
Hermeto em BH
Hermeto iria se apresentar com o grupo Nave Mãe, neste sábado (13/9), no Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas, na capital mineira, como parte da programação do Festival Acessa BH 2025. No entanto, a vinda dele havia sido cancelada, na última terça-feira (9) por “motivos de saúde”, de acordo com a assessoria de imprensa do evento.
O músico esteve em Belo Horizonte pela última vez em agosto de 2024, quando se apresentou com seu grupo na casa de shows A Autêntica, dentro da programação do Tabuleiro Jazz Festival. Aos 88 anos, seguia cheio de projetos, lançando novos álbuns e até protagonizando exposições de artes visuais.
Na ocasião, refletiu sobre sua maneira livre de criar: “Faço tudo bem solto. Nunca penso: ‘agora vou fazer isso’, ‘agora vou fazer aquilo’. Não marco hora, nunca premedito nada. E a música vem. Vem até demais. É como o vento”, comentou. Prova disso: no fim da conversa, ele contou ter criado uma composição.
Para o artista, cada apresentação era única, irrepetível: “Nunca é a mesma coisa, porque cada show que faço é uma criação. E cada criação é única. Só Deus sabe o que vai acontecer em um show – nem eu sei”, disse antes da apresentação.
Ao longo da carreira, Hermeto compôs mais de 10 mil músicas, muitas registradas em guardanapos, roupas e até portas de casa. Seu processo, dizia, era totalmente intuitivo: “Eu sou 100% intuitivo e autodidata. Tudo que eu faço vem do que estou sentindo no instante que estou criando.”
Uma música por dia
Entre os inúmeros feitos, estão a façanha de ter composto uma música por dia durante um ano inteiro – reunidas no livro Calendário do Som –, colaborações com grandes nomes da música brasileira e internacional, além de discos que marcaram gerações.
Mesmo perto dos 90 anos, não deixava de lançar novos trabalhos. Em 2024, apresentou o álbum Para você, Iza, dedicado à sua primeira companheira, Ilza Souza Silva, mãe de seus seis filhos, falecida em 2000. Também teve sua trajetória revisitada na biografia Quebra tudo! A arte livre de Hermeto Pascoal, de Vitor Nuzzi.
“Bruxo dos Sons”
Conhecido como “Bruxo dos Sons”, Hermeto tornou-se referência mundial pela capacidade de transformar qualquer objeto em música e por sua visão da chamada “Música Universal” – uma criação livre, sem fronteiras ou rótulos.
Em suas próprias palavras, cada show era ao mesmo tempo um e mil: “Às vezes, parece até que as pessoas já tinham assistido àquele show, que eu nunca tinha feito antes. Mesmo sem repetir nada, essa gente sempre corresponde com sua maneira de escutar. Cada um escuta do seu jeito, porque todos, quando escutam, têm a mesma liberdade que eu de criar.”
















