Procissões serão realizadas no dia 7 de outubro, às 19h, no Centro e no bairro Cruzeiro do Sul; celebrações unem devoção mariana, patrimônio histórico e manifestações da cultura afro-brasileira.
Lavras terá, nesta quarta-feira, 7 de outubro, duas celebrações dedicadas a Nossa Senhora do Rosário. Realizadas em pontos diferentes da cidade, as manifestações têm características próprias, mas são unidas pela fé, pela devoção mariana e pela preservação de tradições religiosas e culturais.
No Centro, a Festa de Nossa Senhora do Rosário 2026 terá uma procissão saindo da Matriz de Sant’Ana, às 19h, em direção à Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Após a chegada e a celebração religiosa, haverá movimento de barraquinhas, proporcionando também um momento de convivência entre os participantes.
O percurso ganha significado especial pela própria história religiosa de Lavras. A atual Igreja do Rosário é uma das construções mais antigas da cidade. O templo foi originalmente erguido como Capela de Sant’Ana entre 1751 e 1754 e tornou-se matriz em 1760. Já em 1810, uma igreja dedicada a Nossa Senhora do Rosário foi construída onde atualmente fica a região da Praça Leonardo Venerando. Com a inauguração da nova Matriz de Sant’Ana, em 1917, a antiga matriz passou a ser denominada Igreja do Rosário.
Assim, a procissão que parte da atual Matriz de Sant’Ana e segue até a Igreja do Rosário estabelece também uma ligação simbólica entre dois importantes capítulos da história religiosa e arquitetônica do município.
Fé, tambores e tradição no Cruzeiro do Sul
Também às 19h, outra manifestação dedicada à santa será realizada no bairro Cruzeiro do Sul. A procissão sairá da Capela dos Santos Pretos, na rua Alfredo Marani, e percorrerá as ruas da comunidade.
A celebração contará com a participação do Moçambique de São Benedito da Família Barbosa, trazendo para o cortejo elementos de uma tradição em que religiosidade, ancestralidade, música e cultura popular caminham juntas. Também participam da iniciativa a Casa da Cultura e o Curta Lavras.
A presença do Moçambique insere a celebração em uma vertente histórica particularmente importante em Minas Gerais. Ao longo dos séculos, a devoção a Nossa Senhora do Rosário encontrou forte expressão entre irmandades formadas por pessoas negras, escravizadas, libertas e seus descendentes. Essas organizações religiosas tornaram-se espaços de fé, solidariedade e preservação de vínculos culturais. Em Minas, essa tradição permanece associada aos Congados, Reinados e Moçambiques, marcados por cortejos, cantos, tambores e devoção aos santos.
Uma devoção atravessada pela história
Celebrada pela Igreja Católica em 7 de outubro, Nossa Senhora do Rosário possui uma devoção secular que ganhou características próprias no Brasil. Em Minas Gerais, ela ultrapassou os limites estritamente litúrgicos e passou a fazer parte de uma ampla tradição cultural e comunitária, especialmente por meio das irmandades e manifestações afro-católicas.
Em Lavras, as duas celebrações deste dia 7 mostram diferentes maneiras de manter essa devoção viva. De um lado, o cortejo entre a Matriz de Sant’Ana e a histórica Igreja do Rosário destaca a ligação entre fé, memória e patrimônio. De outro, no Cruzeiro do Sul, a presença do Moçambique evidencia uma expressão em que fé, ancestralidade e cultura afro-brasileira se encontram.
São celebrações distintas, realizadas simultaneamente em diferentes regiões da cidade, mas que compartilham o mesmo centro de devoção: Nossa Senhora do Rosário.
















