Para Erick Schaefer, organização local e diálogo com os trabalhadores devem orientar os próximos passos do partido.
Erick Caixeta Carvalho Schaefer, secretário de organização política do PT de Lavras, falou ao Curta Lavras durante um ato de apoiadores de Lula, na noite deste domingo (25), na Praça Dr. Augusto Silva. A manifestação celebrou a vitória histórica de Lula na eleição presidencial. Na entrevista, Schaefer avaliou as lições da campanha e destacou a mobilização nos bairros e o uso das redes sociais.
Em Lavras, Flávio Bolsonaro (PL) foi o mais votado no segundo turno, com 28.988 votos (50,89%), contra 27.975 (49,11%) de Lula. A diferença foi de 1.013 votos, ou 1,78 ponto percentual.
No primeiro turno, Flávio havia recebido 26.718 votos (50,15%) e Lula, 21.474 (40,31%). Entre as duas etapas, Lula ampliou sua votação em 6.501 votos e Flávio, em 2.270. A diferença entre os candidatos caiu de 5.244 para 1.013 votos. O comparecimento passou de 57.260 para 59.485 eleitores.
Confira a entrevista:
Que lições o PT de Lavras tira desta eleição?
A principal lição é que organização e povo na rua fazem a diferença. Tivemos uma campanha linda em Lavras, com o povo mobilizado. Fizemos não só as grandes manifestações que saíram nos jornais, mas também marcamos presença diariamente nos bairros e nas fábricas. Conseguimos estar presentes em diferentes regiões da cidade.
A grande lição é a necessidade de capilarizar e organizar o partido nos bairros, e não apenas no centro ou na universidade. Essa é a missão que teremos daqui para a frente.
Qual foi o papel de André Janones e das redes sociais na campanha?
Se não fosse o papel do Janones, ainda estaríamos dez ou cem passos atrás nas redes sociais. Aprendemos a usar essas ferramentas e a entender a lógica do algoritmo, algo que a direita já sabia fazer havia mais tempo.
Mas acordamos tarde para as redes — eu diria que só no segundo turno entendemos essa lógica. O Janones teve um papel fundamental nisso. A partir dessa experiência, os diretórios municipais também podem aprender a trabalhar melhor nas redes. Aqui em Lavras, não tínhamos uma rede social tão mobilizada; agora temos.

Lula, então candidato à reeleição, aparece com óculos em formato de estrela.
Nos últimos anos, o PT talvez tenha perdido contato com a população. A retomada do trabalho nos bairros e o investimento nas redes foram fundamentais?
Sem dúvida. Acho até que perder no primeiro turno foi aquele tapa na cara necessário. A gente parou para pensar no que estava fazendo de errado.
A partir dessa aprendizagem, refletimos sobre a história do PT. Sou historiador e faço doutorado em História. Temos muita gente no partido que pensa a história do Brasil e do país. A pergunta foi: o que há no PT hoje que não está dando certo?
Percebemos que não estávamos entendendo a linguagem do nosso tempo, especialmente a das redes sociais. Também lembramos que o PT surge dos movimentos sociais: é um partido que vem de baixo para cima, dos sindicatos, da igreja e do movimento universitário. Talvez, por estar tantos anos no poder e na burocracia do Estado, o partido tenha se afastado um pouco dessa origem.
Há críticas de que o PT se distanciou das pautas dos trabalhadores e passou a abraçar causas que parte da população considera distantes. Como o partido pretende responder a essa crítica?
A gente precisa voltar — e acho que está começando a fazer isso — a falar de todos os temas centrais para a vida do trabalhador. A luta pelo fim da escala 6×1, por exemplo, faz toda a diferença na vida de quem trabalha.
Também estamos em um momento em que o plano do Bolsonaro era de cortes, o chamado “tesouraço”. Batemos muito nessa tecla: programas sociais e investimentos no povo não são gastos. São direitos. Não vou dizer que o PT tinha esquecido esses temas, mas acho que tinha perdido um pouco a ênfase. Voltar a trabalhar com mais força essas pautas é fundamental.
A reindustrialização também é central, porque está ligada ao emprego e ao trabalho. São temas que vamos voltar a abordar com mais força.
















