O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, em entrevista à “TV Globo”Foto: Crédito: Manoella Mello/Globo
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, nesta sexta-feira (16), que pretende cortar pelo menos dez ministérios se for eleito. Em entrevista à TV Globo, ele também disse que manteria os reajustes do salário mínimo acima da inflação.
Questionado pela jornalista Renata Lo Prete, o senador negou que pretenda desvincular as aposentadorias do salário mínimo ou alterar a Constituição para eliminar os pisos obrigatórios de gastos com saúde e educação. Ele afirmou que seu adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), estaria divulgando informações falsas sobre possíveis cortes em benefícios e privatizações.
“Meu concorrente está promovendo o verdadeiro terrorismo em cima de servidores públicos, em cima de estatais”, declarou Flávio, ao negar que pretenda acabar com aposentadorias ou privatizar empresas como Banco do Brasil, Caixa e Petrobras.
Corte de ministérios e estatais
Flávio disse que pretende reduzir a estrutura do governo federal, melhorar a gestão das empresas estatais e combater desperdícios. “Hoje vocês sabem que o atual governo tem 39 ministérios. A gente vai cortar pelo menos dez”, afirmou.
Durante a entrevista, o candidato comparou os resultados financeiros das estatais nos governos de Jair Bolsonaro e Lula. Segundo ele, as empresas teriam registrado R$ 18 bilhões de resultado positivo na gestão anterior e R$ 36 bilhões de prejuízo no governo atual. Flávio não detalhou quais empresas ou períodos foram considerados no cálculo.
Imóveis públicos e petróleo
Outra proposta apresentada foi usar imóveis da União para ampliar a arrecadação. Flávio afirmou que o governo federal possui mais de 30 mil propriedades e estimou que operações com esses bens poderiam gerar cerca de R$ 200 bilhões. Ele também mencionou a antecipação de receitas de dívidas a receber, que, segundo sua estimativa, poderia acrescentar mais de R$ 200 bilhões anuais ao orçamento.
O senador citou ainda a exploração de petróleo na Margem Equatorial, na região do Amapá, como possível fonte de mais de R$ 100 bilhões. Durante a entrevista, porém, Lo Prete observou que, segundo a Petrobras, a produção na região só deve começar depois de 2030. A exploração depende de pesquisa, avaliação comercial, desenvolvimento dos campos e autorizações ambientais.
Juros e dívida pública
Flávio criticou o nível dos juros e afirmou que o custo da dívida limita os investimentos do governo. Ele comparou uma projeção do Boletim Focus de outubro de 2022, que, segundo ele, apontava juros próximos de 7%, com a taxa de 14% mencionada na entrevista.
O candidato também afirmou que a dívida pública chegou a R$ 11 trilhões e estimou que a diferença nos juros representaria quase R$ 1 trilhão em despesas adicionais ao longo de quatro anos. Os cálculos não foram detalhados durante a conversa.
A entrevista foi conduzida ao vivo nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, e exibida após o Jornal Nacional. Na quinta-feira (15), Lula também foi entrevistado por Lo Prete. Um debate presidencial organizado pela Band, pelo Estadão e por outros veículos está previsto para domingo (18), às 20h.
Fonte: O Tempo
















