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UFMG: Vacina irá tratar dependência de cocaína

Frederico Duarte Garcia

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram a Calixcoca, vacina terapêutica para o tratamento da dependência em cocaína, que já se encontra em fase avançada, com resultados promissores na fase de testes pré-clínicos. A vacina também poderá ser utilizada para usuários de crack. “Caminhamos, agora, para o registro desse medicamento na Anvisa para, com isso, conseguir a autorização para estudos com humanos”, diz o bolsista de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e professor do Departamento de Saúde Mental, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Frederico Duarte Garcia.  Ele é o coordenador do estudo, que reúne pesquisadores das áreas de Medicina, Química, Farmácia e Veterinária. Por seu caráter inovador, a vacina já teve patente depositada no Brasil e nos Estados Unidos e está concorrendo ao Prêmio Euro de Inovação na Saúde , que reconhece grandes inovações na área médica e é patrocinado pela multinacional farmacêutica Eurofarma. O resultado do Prêmio ainda não foi divulgado.

A pesquisa sobre a Calixcoca é o tema do projeto da bolsa de Produtividade em Pesquisa do professor Frederico Garcia e, além do financiamento do CNPq, recebeu recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG); apoio da Secretaria Nacional de Política sobre Drogas, do Ministério da Justiça; além de verba de uma emenda parlamentar do Deputado Federal Hugo Leal (PSD-RJ). Segundo o professor Garcia, o percentual da prevalência do uso de cocaína uma vez na vida entre a população adulta é de 3,8%, o que representa cerca de 5 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais. Nos últimos 12 meses, a utilização da cocaína observada na população adulta foi de 1,7%, o que abrange mais de 2 milhões de brasileiros. No caso dos adolescentes, ainda segundo o professor, 2,3% já declararam ter usado cocaína ao menos uma vez na vida e 1,6% deles, ou 225 mil adolescentes, confessaram ter usado a droga nos últimos 12 meses.

Segundo dados apresentados no Relatório Mundial sobre Drogas 2023, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), a cocaína foi a droga estimulante mais consumida no período. Em 2021, a estimativa foi a de que cerca de 22 milhões de pessoas ao redor do mundo tenham consumido a droga, o que representa 0,4% da população mundial adulta. “Das pessoas que consomem a droga, sabemos que uma em cada quatro se tornará dependente, o que é uma quantidade expressiva e resulta em um importante problema de saúde pública”, afirma o professor Garcia. Na entrevista abaixo, ele fala sobre as motivações para a pesquisa, principais desafios, etapas ainda necessárias para que o medicamento esteja disponível à população e as características do vício e da dependência de drogas .

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