Juros altos, crédito restrito e endividamento podem pesar no orçamento das famílias, reduzir o consumo e pressionar o emprego em 2027.
A economia brasileira pode entrar em recessão em 2027, segundo projeções de economistas, consultorias e bancos. A estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) gira em torno de 1%, mas um cenário de estagnação ou contração não está descartado.
Um exercício preliminar do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) aponta que, se as condições financeiras continuarem piorando, setores como comércio, indústria de transformação e serviços podem recuar 0,5% no próximo ano. Mesmo com crescimento de 1% na agropecuária e na indústria extrativa, o resultado seria um PIB praticamente estagnado.
O cenário é associado à combinação de juros elevados, dólar em alta, crédito mais restrito e incertezas sobre as contas públicas. As taxas reais de juros — descontada a inflação — chegaram a oscilar entre 9,5% e 9,7% ao ano, dificultando o financiamento de famílias e empresas.
O Itaú reduziu de 1,2% para 0,5% sua projeção de crescimento do PIB em 2027. A Fecomercio-SP já aponta a possibilidade de recessão, citando o endividamento e o esgotamento do crescimento apoiado no crédito. O banco Safra também avalia que o risco de contração aumentou.
O endividamento das famílias é outro fator de preocupação. Dados da Serasa indicam que o Brasil chegou a 84,2 milhões de inadimplentes em setembro, o equivalente a 51,1% da população adulta. A dívida média por pessoa inadimplente era de R$ 7.094.
Com parte do orçamento comprometida com dívidas, as famílias tendem a reduzir o consumo. Esse movimento pode afetar o comércio e os serviços e ampliar a desaceleração da atividade econômica. Projeções citadas por economistas também apontam que a taxa de desemprego poderia subir de 5,6% em 2026 para perto de 7% em 2027.
As estimativas ainda não confirmam uma recessão. O alerta é de que, sem melhora nas condições financeiras e sinais mais claros sobre o ajuste das contas públicas, aumenta o risco de a economia perder força no próximo ano.
Com informações da Folha de S.Paulo
















