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Rejeitado por Tim Maia e cultuado por fãs, ‘Racional’ ganha reedição em vinil

O álbum “Tim Maia Racional” (1975), Volume 1, receberá sua primeira reedição oficial em vinil em março, pela Três Selos Rocinante. Os Volumes 2 e 3 serão lançados em junho e setembro, respectivamente. O disco, que foi supervalorizado em sebos e alvo de pirataria, retorna ao mercado com a autorização de Carmelo Maia, filho do artista.

Tim Maia (1942-1998) não acompanhou a transformação de seu trabalho, inicialmente renegado por ele, em um objeto de culto. A fase “Racional” do cantor começou em 1974, após conhecer o livro “Universo em desencanto”, do guru Manoel Jacintho Coelho. A obra defendia a tese de que seres de um planeta distante estavam exilados na Terra, e a salvação viria pela “imunização racional”.

Durante esse período, Tim Maia abandonou drogas e álcool, desfez-se de bens materiais e lançou os álbuns “Racional” na tentativa de converter pessoas à Cultura Racional. O jornalista americano Allen Thayer, em seu livro sobre os Volumes 1 e 2, descreveu como o cantor exigiu que seus músicos aderissem aos princípios da Cultura Racional, lessem o livro, abandonassem drogas e se vestissem de branco.

O cantor Tim Maia em show no Programa Mauro Montalvão, na TV Tupi, em 7 de setembro de 1975, com caravana de leitores do livro ‘Universo em Desencanto’. 
A fase “Racional” durou até 1976, quando Tim Maia se desentendeu com Manoel e retomou seus hábitos anteriores. Os dois volumes originais, lançados de forma independente em 1975 e 1976, apresentaram o cantor em performance vocal em músicas como “Imunização Racional (que beleza)”, “Bom senso” e “Rational culture”.

Carmelo Maia, herdeiro de Tim, descreve o relançamento como uma “reparação histórica”. Ele afirmou: “Esses discos estão entre os momentos mais livres e criativos do meu pai. Trazer os dois primeiros de volta ao mercado, em LPs oficiais, devolve essa fase ao público com o cuidado e o padrão que ele sempre mereceu.”

Da rejeição ao status de obra-prima: a fase Racional de Tim Maia retorna oficialmente ao mercado em vinil.

As negociações com a Três Selos Rocinante duraram dois anos. Carmelo Maia explicou que trata o catálogo como “patrimônio cultural” e recusou propostas que não garantiam a qualidade desejada. A Três Selos Rocinante possui uma fábrica de vinil própria, o que alinhou com a busca de Carmelo por um relançamento de alto padrão.

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