O professor Flávio Meira Borém integra o grupo técnico responsável pela revisão da Classificação Oficial Brasileira do Café.
A Universidade Federal de Lavras (UFLA), referência nacional e internacional em pesquisa cafeeira, está diretamente envolvida em uma das mais importantes atualizações regulatórias da cafeicultura brasileira. O professor Flávio Meira Borém, do Departamento de Engenharia Agrícola, integra o grupo técnico constituído pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para a revisão da Classificação Oficial Brasileira do Café (COB), sistema que estabelece os critérios utilizados para classificar o café em grão cru no país.
A proposta é resultado de uma década de estudos, pesquisas e análises conduzidas por auditores fiscais federais agropecuários, pesquisadores, especialistas e representantes de diversos segmentos da cadeia produtiva do café. O objetivo é modernizar a classificação oficial brasileira, adequando-a às transformações vividas pela cafeicultura nacional e às exigências dos mercados consumidores.
Uma das principais mudanças previstas é a adoção de uma nova lógica de avaliação, que deixa de considerar exclusivamente os defeitos dos grãos e passa a incorporar também atributos positivos da bebida. A proposta reconhece a evolução da qualidade dos cafés brasileiros e busca criar mecanismos mais alinhados à realidade atual da produção, da indústria, do comércio e dos consumidores.
De acordo com o professor Flávio Meira Borém, a revisão representa a mais relevante atualização técnica e regulatória da classificação do café nas últimas décadas. Segundo ele, o modelo atualmente utilizado, regulamentado pela Instrução Normativa nº 8, de 2003, desempenhou papel importante para o setor, mas já não contempla plenamente as demandas contemporâneas da cafeicultura brasileira.
Entre os avanços propostos está a simplificação estrutural do sistema de classificação. A nova metodologia substitui os seis níveis da normativa atual por uma organização baseada em grupo, tipo e categoria. Também haverá mudanças na avaliação física dos grãos, com a substituição da equivalência de defeitos por uma análise percentual em massa, ampliando a objetividade e a precisão técnica do processo.
Outro destaque é a criação de um protocolo sensorial unificado para avaliação da bebida. A proposta prevê a adoção de uma metodologia de análise sensorial descritiva e afetiva, organizada em cinco categorias e baseada em uma escala de pontuação de 0 a 100 pontos. Além disso, critérios de rastreabilidade e rotulagem passam a integrar oficialmente o sistema de classificação, fortalecendo a transparência e a segurança nas relações comerciais.
A construção da Nova COB foi sustentada por uma ampla base científica. Foram analisadas 461 amostras de café provenientes dos principais estados produtores do Brasil, além de estudos estatísticos conduzidos pela UFLA e consultas realizadas com diferentes setores da cadeia produtiva.
Para os especialistas envolvidos, a proposta representa um importante avanço para produtores, cooperativas, exportadores, classificadores, indústrias, pesquisadores, comerciantes e consumidores, ao estabelecer uma linguagem técnica mais moderna, transparente e coerente com a diversidade e a qualidade dos cafés brasileiros.
Os trabalhos agora avançam para novas etapas de validação científica. Na UFLA, a professora Ana Carla Marques Pinheiro, do Departamento de Ciência dos Alimentos, passa a integrar os estudos relacionados à validação da metodologia sensorial proposta. Os pesquisadores também atuarão no desenvolvimento de protocolos de treinamento para a aplicação da nova classificação.
A proposta seguirá os trâmites regulatórios previstos pelo Ministério da Agricultura, incluindo etapas de consulta pública e participação social. A expectativa é que o novo modelo fortaleça ainda mais a identidade, a valorização e a competitividade dos cafés brasileiros nos mercados nacional e internacional.
















