MC Poze do Rodo (à esq.) e MC Ryan SP; ambos foram presos em operação da Polícia Federal –
O esquema de lavagem de dinheiro supostamente liderado por MC Ryan teria movimentado de R$ 1,63 bilhão em 24 meses, de acordo com a Polícia Federal. A investigação aponta que o artista é suspeito de utilizar empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar receitas lícitas com valores ilícitos.
Em nota, sua defesa afirmou que acredita na integridade e na lisura de suas transações financeiras.
Segundo a investigação, os recursos ilícitos tinham origem principalmente na exploração de jogos de azar não regulamentados, apostas de bets, rifas digitais clandestinas e práticas de estelionato digital. Há ainda indícios de utilização do esquema para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas.
Dois homens jovens aparecem lado a lado em retratos. O homem à esquerda veste camiseta azul e várias correntes douradas no pescoço, com cabelo curto e ondulado. O homem à direita usa camiseta preta com estampas coloridas vibrantes, óculos e cabelo loiro curto, sorrindo levemente. Fundo do lado esquerdo é uma parede de tijolos, e do lado direito é escuro com luz amarelada ao fundo.
A PF identificou uma ampla rede de empresas de fachada, em nome de laranjas, segundo relatórios apresentados à Justiça Federal. Os documentos apontam que o dinheiro sujo era pulverizado para essas firmas com o objetivo de dificultar o rastreamento.
Os suspeitos fracionavam grandes quantias de dinheiro (um método chamado de “smurfing”), realizando inúmeras transferências em pequenas quantias para evitar alertas dos sistemas de controle financeiro. Parte dos valores era enviado para fora do país, na forma de criptoativos.
Empresas de pagamento desempenhavam papel central na arrecadação e no processamento de grandes volumes financeiros oriundos das apostas ilegais, segundo a PF.
Depois disso, o dinheiro voltava aos integrantes do esquema em forma de ativos de luxo, incluindo imóveis de alto padrão, veículos e joias, frequentemente registrados em nome de terceiros para blindagem patrimonial.
Confira o caminho do dinheiro no esquema de lavagem
Etapa 1: Origem do dinheiro
Rifas ilegais, apostas digitais não regulamentadas, estelionato online e possíveis valores oriundos do narcotráfico
Empresas processadoras de pagamento captam o dinheiro
Etapa 2: Ocultação e dissimulação
Dinheiro é enviado a empresas de fachada e firmas em nome de laranjas. Os valores são pulverizados por meio de centenas de transferências fracionadas (“smurfing”), evitando sistemas de detecção. Parte dos recursos é convertida em criptoativos e enviada ao exterior.
Etapa 3: Mesclagem de recursos (“commingling”)
Valores são destinados a empresas de produção musical, entretenimento e marketing digital. Os recursos ilícitos são misturados com receitas legítimas dessas empresas, criando aparência de legalidade e dificultando a identificação da origem dos valores.
Etapa 4: Luxo
O capital é reinserido por meio da compra de imóveis de luxo, veículos, joias e aeronaves, frequentemente registrados em nome de terceiros para ocultação da titularidade real.
Qual a função dos presos famosos
Ryan Santana dos Santos (MC Ryan SP): Líder da organização criminosa, usava produtoras para lavar dinheiro ilícito; defesa dele diz que todo dinheiro do artista tem “origem lícita”.
Marlon Brendon (Poze do Rodo): Vinculado a empresas que faziam curcular recursos de rifas e apostas; advogado diz que não teve acesso aos autos
Raphael Sousa Oliveira (Choquei): Promovia apostas, zelava pela imagem dos envolvidos e recebia altos valores; defesa não se manifestou.
Outra frente de atuação do grupo era a de gestão de imagem. Ainda segundo a investigação, operadores de mídia eram pagos para promover as plataformas de apostas e fazer gestão de crises, evitando impactos na reputação dos integrantes do bando.
Nesse grupo entraria Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei. A defesa dele não se manifestou até o momento.
Além de Ryan, o grupo tinha um gestor financeiro responsável pela centralização e redistribuição dos recursos, um contador encarregado da proteção patrimonial e da movimentação em nome de terceiros, e um intermediário entre as plataformas de apostas e a estrutura empresarial vinculada ao líder.
MC Poze aparece na investigação vinculado a empresas e estruturas financeiras relacionadas à circulação de rifas digitais e apostas. A Justiça determinou sua prisão temporária pelo prazo de 30 dias. A defesa dele afirmou que ainda não teve acesso aos autos.
Fonte: Bruna Fantti e Tulio Kruse/ Folha
















