quinta-feira , 22 outubro 2026
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Não importa o destino, mas o pedalar

Por Marco Bissoli

Sabadão. Estou parado no bar de uma cidade do interior do Rio.

Vejo, surpreso, a quantidade de bicicletas que passam sob o meu olhar na rua em frente. Magrelas que vêm e vão.

A cidade, de terreno plano, é um convite para montar uma. Seja para andar à toa, seja para cumprir um objetivo. Não importa o destino, mas o pedalar.

São muitos os modelos, cores e marcas que riscam o asfalto quente. Longe da gourmetização em que se transformou esse meio de transporte, aqui o que vale é a chamada bike raiz.

Nada de ostentação mercadológica e tribal dos dias de hoje. Aqui, andar de bicicleta é uma segunda natureza — democrática, direta, simples, eclética. É como uma digital: intransferível.

Coisa rara de se ver nestes tempos instagramáveis.

Vão sobre elas os mais variados gêneros humanos. Cabe o mundo inteiro no selim.

Sempre invejei os grandes andarilhos — Thoreau, Rimbaud, Cristo e companhia. Homens que percorreram grandes distâncias a pé, sem medo de topar com o imponderável.

Caminhantes que viraram o mapa do avesso. Fundaram reinos, abriram picadas de possibilidades e sustentaram o próprio desejo.

Hoje, coloco a bike raiz no mesmo lugar.

Pedalar de verdade é preciso.

Viver também.

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