O cineasta húngaro Béla Tarr, em 2016 –
Morreu nesta terça-feira (6), aos 70 anos, o cineasta húngaro Béla Tarr, um dos nomes mais importantes do cinema europeu. A informação foi confirmada pelo diretor Bence Fliegauf à agência MTI, em nome da família. Tarr enfrentava uma longa doença.
Reconhecido por um estilo austero, marcado pelo preto e branco, planos-sequência extensos e um ritmo lento e melancólico, Béla Tarr construiu uma obra que observa o indivíduo diante de forças opressivas — da política à própria natureza — em narrativas de tom profundamente pessimista e visualmente impactantes.
Seu filme mais celebrado é “Sátántangó” (1994), com cerca de sete horas de duração, que retrata o colapso material e espiritual do Leste Europeu pós-comunista a partir da vida em um vilarejo em ruínas. A obra é uma adaptação do romance de László Krasznahorkai, escritor com quem Tarr manteve uma parceria duradoura.
Inspirado por Andrei Tarkóvski, Tarr se tornou referência no uso do plano cinematográfico e do tempo como elemento narrativo. Dessa colaboração com Krasznahorkai surgiram ainda filmes como “A Harmonia Werckmeister” (2000) e “O Cavalo de Turim” (2011), vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim e anunciado pelo diretor como sua despedida do cinema.
Nascido em Pécs, em 1955, e criado em Budapeste, Béla Tarr iniciou a carreira ainda jovem, realizando filmes amadores e documentários. Seu primeiro longa profissional foi “Ninho Familiar” (1979). Ao longo da carreira, trabalhou frequentemente com o compositor Mihály Víg, o fotógrafo Fred Kelemen e a atriz Erika Bók.
Após se aposentar da direção, fundou em 2013, em Sarajevo, a escola internacional de cinema Film Factory, dedicada à formação autoral e experimental de novos cineastas. Mesmo afastado das filmagens, seguiu atuando como produtor e artista visual.
Béla Tarr deixa um legado que influenciou cineastas e pensadores do cinema contemporâneo em todo o mundo.
Com informações da AFP.
















