sexta-feira , 30 outubro 2026
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Ministros do STF defendem que Moraes paute redução de pena para soltar Bolsonaro

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, aguarda na fila para votar no Colégio Madre Alix, no Jardim Paulistano, zona oeste de São Paulo, durante as eleições – Allison Sales/Folhapress.

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) defendem que Alexandre de Moraes leve ao plenário, o mais breve possível, a ação que discute a redução da pena de Jair Bolsonaro.

Se a lei for considerada constitucional e aplicada, o período de Bolsonaro em regime fechado pode cair de sete anos para cerca de dois anos e três meses, segundo cálculos de juízes e advogados. Como ele já cumpriu quase um ano da pena nesse regime, poderia ser libertado no fim de 2027. Depois, seguiria cumprindo pena nos regimes semiaberto e aberto. Bolsonaro continuaria inelegível.

Segundo três magistrados ouvidos pela coluna, a iniciativa também poderia reduzir a tensão com o novo Senado, que, a partir do próximo ano, terá ampla maioria bolsonarista. Pelo menos 49 parlamentares defendem abertamente o impeachment de ministros do Supremo.

A aplicação das novas regras definiria uma perspectiva para o fim da prisão de Bolsonaro em regime fechado e poderia esvaziar propostas de anistia relacionadas aos crimes pelos quais ele foi condenado. Em votações anteriores, o STF decidiu que crimes contra a democracia não podem ser anistiados.

A redução da pena também diminuiria a pressão para que o Supremo avance rapidamente com a revisão criminal pedida por Bolsonaro. Nesse processo, a defesa solicita a revisão de toda a ação penal, com a possibilidade de correção de eventuais ilegalidades ou até de anulação da condenação.

Magistrados ouvidos pela coluna afirmam que o tema precisa ser enfrentado de forma definitiva. A Lei da Dosimetria (Lei 15.402/2026) foi aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado em dezembro de 2025. Em abril, os parlamentares derrubaram os vetos do presidente Lula, e a norma poderia ter entrado em vigor.

Em maio, porém, Alexandre de Moraes suspendeu a aplicação da lei. O ministro argumentou que o plenário do STF deveria julgar o mérito das ações que questionam a constitucionalidade da norma antes que ela fosse considerada para reduzir penas.

Até agora, Moraes não levou o tema a julgamento. Ministros da Corte devem pressioná-lo a pautar a discussão.

O ministro Alexandre de Moraes aguarda na fila para votar no Colégio Madre Alix, no Jardim Paulistano, zona oeste de São Paulo, durante as eleições.

Fonte: Monica Bergamo/Folha de S.Paulo

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