Lucas Hit mostra um exemplar do livro, elogiado por mulheres que posaram para a revista
O capixaba Lucas Hit, 40, pode ser considerado um dos principais colecionadores da Playboy no país: ele possui todas as edições nacionais da publicação, que circulou no Brasil de 1975 a 2017. Seu vasto acervo, cuidadosamente arquivado em sua casa, em Piúma (ES) inclui ainda exemplares da Playboy estrangeira de 29 países.
Hit contou ao F5 que sempre foi fascinado por revistas, mas sua predileta era aquela que desnudou as mulheres mais desejadas do Brasil. “Aos 13 anos comecei a colecionar, e a Playboy foi a principal delas”. Ao longo de 27 anos, ele acumulou milhares de exemplares.
Entretanto, no ápice da pandemia em 2020, sem trabalho, o ex-consultor de moda decidiu colocar à venda seu estoque, criando um sebo online. O que era hobby virou fonte de renda. “Não foi desapego, foi desespero mesmo, foi a única solução que achei pra sobreviver, ganhei uma grana boa pra me sustentar, pagar contas atrasadas, e após 3 meses já aluguei um apê”.
Em dezembro, Hit deu um passo adiante e lançou seu primeiro livro: “As Garotas da Playboy”, que ele descreve como uma enciclopédia. Nele estão listadas, em ordem alfabética, todas as 8.149 mulheres que se despiram para a publicação brasileira, incluindo coelhinhas e ensaios internos. A obra cita famosas e anônimas, com o mês, ano, e a seção que apareceram.
Com 26.581 menções, foi uma tarefa árdua para ele catalogar todas as 497 edições, porém a parte mais difícil, diz, foi arcar com o projeto sem patrocínio. O resultado foi um livro com 360 páginas e tiragem limitada de 200 exemplares numerados. Cada um sai a R$ 159. Segundo Hit, o retorno tem sido positivo: 70 unidades já foram vendidas no site do sebo.
O F5 buscou a opinião de algumas mulheres que têm seus verbetes no livro, como a atriz e modelo Nana Gouvêa, estrela de edições especiais. “Acho bonito que alguém dê tanto valor a essa fase glamourosa, quando as mulheres eram valorizadas, não só pela beleza, mas também por suas histórias”, diz.
Outra que aprovou a iniciativa foi a ex-modelo e empresária Magda Cotrofe: “Interessante essa visão dele, já que é um estudioso da área, além de ser maior fã da revista”, diz. “É uma joia para os colecionadores”, afirma ela, que estampou a capa três vezes (1985/86/87).
Estrela da edição de novembro de 1994, a atriz e hoje psicóloga Patrícia Lucchesi (a moça do comercial do primeiro sutiã, da Valisère), também elogia: “Achei relevante preservar a história da revista, embora não tenha sido o trabalho mais importante da minha carreira. Lembro que meu ensaio falou sobre minha vida, trajetória, e tinha também o conteúdo informativo”.
Contudo, se a intenção do comprador for ver imagens dos ensaios sensuais vintages, ele poderá poderá se frustrar: o livro não possui fotos. Questões de direitos autoriais o impediram de ilustrá-lo. “É um livro para quem quer saber a história da revista, um documento histórico, não é para quem só quer ver mulher pelada”, afirma.
Para a atriz e cantora Babi Xavier, capa da edição de setembro de 2003, a ausência de imagens não invalida a obra. “Ter ou não fotos não faz diferença, histórias sempre foram contadas em prosa, e nunca deixamos de nos conectar por isso”. A conexão, no entanto, às vezes pode não ser agradável.
Ela comenta que recentemente sua filha sofreu bullying por causa do ensaio. “É triste saber que, enquanto meu trabalho como artista é celebrado, minha filha, na escola, sofreu assédio verbal por causa desse passado”, disse Babi, que atualmente se dedica à música.
A atriz e ex-modelo Gisele Fraga, famosa como Garota do Fantástico em 1987, e capa da edição de setembro de 1989, concorda com Babi. “Acho super positivo, mesmo sem fotos. A Playboy foi um fenômeno no mundo inteiro, e elevou o meu reconhecimento nacional”, contou. Ela lembra que seu cachê foi o equivalente a um carro zero.
Gisele relembra que na época perdeu a chance de ser VJ na MTV por ter posado nua. “Em um país machista, perdi trabalhos por isso, fui chamada para fazer 18 testes, e não me aprovavam, só fui descobrir anos depois que era devido à Playboy”.
Os melhores e piores ensaios
Com relação a faturamento, Hit não tem razões para reclamar, ele estima ter vendido 10 mil exemplares em cinco anos de sebo. No decorrer desse período, renovou o estoque algumas vezes. “Trabalho nisso em tempo integral, me sustento com minhas revistas, e sinto que tenho a missão de manter esse impresso vivo”. Atualmente ele possui 8 mil exemplares da revista.
Questionado sobre seus ensaios preferidos, ele elege três: “Adriane Galisteu (1995), Maitê Proença (1996), e Fernanda Young [1970-2019], que posou em 2009. Com relação aos piores, o autor não poupa críticas a algumas revistas que, segundo ele, não renderam. “Um que é considerado talvez o pior ensaio da história, é o de janeiro de 2007, com a surfista Andrea Lopes; difícil alguém gostar desse ensaio. Não deu certo”.
Outro exemplar apontado pelo expert como muito ruim é o que traz a ex-BBB 9 Priscila Pires, de 2009. “Perderam a chance de pôr uma estrela de verdade. Ela não merecia, as fotos beiram à vulgaridade, não estão no padrão da Playboy”.
O autor também relembra aqueles que foram sucesso de vendas: “A primeira capa da Maitê, de 1987, vendeu cerca de 700 mil exemplares, foi a edição mais vendida até então”. Hit conta que o recorde só foi quebrado com o primeiro ensaio de Adriane Galisteu. “Da última vez que a Playboy divulgou as vendas, consta que foram 961.527 unidades, é a terceira mais vendida da história” afirma.
Com relação aos fracassos, ele considera que houve uma fase com a revista em viés de baixa. “De 2011 a 2015, não teve nada incrível. A Galisteu fez um super ensaio em 2011, mas não vendeu nem 150 mil, foi muito baixo, até pelo investimento que fizeram”. Nanda Costa, em 2013, também não teve o sucesso esperado. “Flopou porque nessa época o online estava crescendo”.
Ainda sem o retorno do custo investido, ele não teme a possibilidade de o livro encalhar e acredita que sua obra se tornará uma relíquia no futuro. “Tenho certeza que daqui a uns anos será o mais procurado sobre a Playboy do Brasil e aí não vai ter, porque só tinha alguns exemplares.”
Veja as dez capas mais vendidas
1oº – Carla Peres (1996) / 778 mil exemplares

9º – Joana Prado (2000) / 804 mil exemplares

8º – Suzana Alves (2000), Tiazinha/ 828,6 mil exemplares

7º – Marisa Orth (1997)/ 835,8 mil exemplares

6º – Scheila Carvalho e Sheila Mello (1999)/ 838,2 mil exemplares

5º – Scheila Carvalho (1998)/ 845,1 mil exemplares

4º – Kelly Key (2002)/ 850 mil exemplares

3º – Adriane Galisteu (1995)/ 961,5 mil exemplares
2º – Suzane Alves, Tiazinha (1999)/ 1,2 milhão de exemplares

1º – Joana Prado (1999) / 1,24 milhão de exemplares

Fonte: André Aran/F5
















