segunda-feira , 20 abril 2026
Lar Cultura Entre cantos e fé, Lavras celebra o 23º Encontro de Folia de Reis
Cultura

Entre cantos e fé, Lavras celebra o 23º Encontro de Folia de Reis

O domingo, 19 de abril de 2026, amanheceu diferente em Lavras (MG). Logo nas primeiras horas do dia, o bairro São Vicente começou a ganhar cores, sons e movimentos que anunciavam a chegada de um dos eventos mais aguardados da cultura popular local: o 23º Encontro de Folia de Reis, promovido pela Associação das Embaixadas dos Santos Reis, Congadas e Terços de São Gonçalo de Lavras.

Ao longo do dia, 35 companhias de Reis — vindas de Lavras e de cidades vizinhas — transformaram as ruas em um verdadeiro cortejo de fé e tradição. Estandartes bordados tremulavam ao vento, instrumentos ecoavam pelas esquinas e vozes entoavam versos que atravessam gerações, recontando a jornada dos Reis Magos com devoção e emoção.

À frente da organização, Giselle Barbosa conduzia mais uma edição do encontro com o mesmo compromisso que assumiu em 2019. Integrante de uma das mais importantes e antigas companhias da cidade, ela esteve à frente das últimas edições — do 19º ao 23º encontro — dando continuidade a um legado que mistura história familiar e responsabilidade cultural.

No meio do público, a emoção era visível. “A Festa da Folia de Reis em Lavras preserva a nossa história, fortalece a nossa fé e mantém viva a união da comunidade”, comentou um participante, acompanhando atentamente cada canto e cada passagem das companhias.

Conforme o dia avançava, o bairro se tornava palco de um espetáculo coletivo. Crianças observavam e aprendiam, dando seus primeiros passos na tradição. Ao mesmo tempo, mestres foliões — guardiões de décadas de experiência — conduziam os rituais com firmeza e sensibilidade, garantindo que cada detalhe mantivesse sua essência.

Mais do que apresentações, o encontro revelava histórias. Em cada verso cantado, em cada toque de viola ou de caixa, havia memória, resistência e pertencimento. A Folia de Reis se mostrava viva — não apenas como celebração, mas como herança transmitida de geração em geração.

Para Giselle Barbosa, o significado do evento vai muito além da organização: “A Folia de Reis não irá morrer. Cada encontro como esse é uma semente plantada no coração dos devotos. É também uma homenagem aos nossos antepassados que mantiveram essa tradição viva, muitas vezes com poucos recursos, mas com muita fé e amor pela cultura.”

Reconhecida como patrimônio cultural imaterial em diversas regiões do Brasil, a Folia de Reis ganha, em Lavras, um espaço de força e continuidade. A cada edição, o encontro reafirma o compromisso da comunidade com suas raízes e com a preservação de uma tradição que resiste ao tempo.

Quando o dia chegou ao fim, ficaram os ecos dos cantos, o colorido dos estandartes e a certeza de que a cultura popular segue pulsando. O 23º Encontro de Folia de Reis não foi apenas mais uma edição — foi a reafirmação de que fé, tradição e comunidade continuam caminhando juntas.

Artigos Recentes

Categorias

Artigos relacionados

Mestres da Cultura Popular de Lavras: Mestre Júlio – Capoeira

Nesta série, apresentamos alguns Mestres da Cultura Popular de Lavras. Por Giselle,...

Novo livro de escritora lavrense questiona pressão por perfeição no cotidiano

Obra de Jacqueline Pereira convida leitores a questionar a cultura da performance. ...

Mestres da Cultura Popular de Lavras: Mestra Clayton – Capoeira

Por Giselle, presidente do Instituto Phos. Há mais de duas décadas, Mestre...

Cantora Raquel Moreira rouba a cena em show de samba no shopping

Raquel Moreira emociona e levanta o público com interpretação intensa. A apresentação...