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Com 5 mil na fila por casas, Lavras vive realidade comum a cidades brasileiras

Déficit habitacional em Lavras: mais de 5 mil pessoas aguardam por moradia, enquanto a oferta de novas unidades segue abaixo da demanda no município.

Em Lavras, o déficit habitacional permanece como um dos principais desafios urbanos, afetando centenas de famílias que aguardam por moradias adequadas.

Segundo dados da Prefeitura, cerca de 5 mil pessoas se inscreveram no último programa habitacional do município, que resultou, por meio do programa federal Minha Casa, Minha Vida, na construção do Conjunto Habitacional Parque das Oliveiras.

A obra beneficiou 250 famílias, número considerado pequeno diante da alta demanda por habitação. Atualmente, a cidade conta com conjuntos habitacionais como Cohab, Vista do Lago, Caminhos das Águas I e II, Judith Cândido, Altos do Ipês e Fonte Verde, que, mesmo somados, não conseguem suprir a necessidade por moradias populares.

A baixa oferta de novas unidades é apenas a ponta do iceberg de um problema ainda maior, presente em todo o país.

De acordo com a Fundação João Pinheiro, Minas Gerais reduziu o déficit habitacional de 556.681 para 478.756 domicílios entre 2022 e 2023. No entanto, o mesmo levantamento aponta 1.329.725 moradias em situação de inadequação, o equivalente a 19,1% do estoque habitacional do estado.

O cenário se repete em nível nacional. No Brasil, o déficit habitacional foi estimado em 5.977.317 domicílios em 2023, uma redução de 3,8% em relação a 2022. Psor outro lado, o número de moradias com ao menos um tipo de inadequação aumentou, passando de 26.510.673 para 27.661.405 no mesmo período.

Razões

Para o economista e professor Renato Fontes, do Departamento de Gestão do Agronegócio (DGA) da UFLA, o déficit habitacional é resultado de um conjunto de fatores estruturais da economia brasileira.

Entre eles estão o crescimento urbano acelerado, impulsionado pelo movimento do campo para a cidade e pelo aumento populacional, além da baixa renda e da informalidade no mercado de trabalho, que resultam em salários insuficientes para o acesso à moradia.

 

Renato Fontes, economista e professor da UFLA: especialista aponta que baixa renda, alto custo da construção e falta de políticas públicas eficazes agravam o déficit habitacional no país.

Outro fator relevante é o alto custo da construção civil e da mão de obra, somado às taxas elevadas do crédito habitacional e à dificuldade de acesso a financiamentos por parte da população de menor renda.

“Falta uma política pública eficiente para o setor. Somam-se a isso os impostos e a burocracia, que encarecem ainda mais a construção de moradias. É um problema crônico, que vem se agravando ao longo dos anos no país”, avalia o professor.

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