João Gilberto e Claudia Faissol em 1996, na casa de um amigo do músico, em Salvador; a foto foi cedida por Faissol para a publicação desta reportagem – Acervo Pessoal Claudia Faissol.
A jornalista Claudia Faissol procura uma produtora parceira para preservar e transformar em documentário o material que reuniu sobre o músico João Gilberto, morto em 2019, aos 88 anos. Mãe de Luísa Carolina, filha caçula do artista, ela já montou um curta-metragem de 15 minutos e prepara um roteiro para um longa ainda sem título.
Em entrevista à Folha, Faissol afirmou que busca uma empresa que possa contribuir com a preservação do acervo, a produção do filme e sua distribuição, de preferência também no exterior. O orçamento e a escolha de um diretor ainda não foram definidos.
O material reúne registros feitos desde a década de 1990 em cidades brasileiras e no exterior. Segundo Faissol, há fotografias e vídeos de viagens, apresentações, bastidores, cenas domésticas e momentos de João com familiares. Parte das gravações também mostra o músico falando sobre diferentes assuntos e tocando.
A jornalista conta que fez a maior parte dos registros. Depois do nascimento de Luísa, em 2004, também contratou cinegrafistas para filmar apresentações do artista. João, porém, tinha resistência a câmeras e temia que as imagens fossem divulgadas sem seu controle. Faissol afirma que ele autorizou sua iniciativa por meio de documentos registrados em cartório. A Folha informou ter consultado autorizações datadas de 2000 e 2005.
Antes de fechar o projeto, Faissol pretende fazer um levantamento completo das imagens e transferir os arquivos para formatos que permitam sua preservação. Ela relata que ainda não conseguiu examinar todo o conteúdo, em parte pela dificuldade emocional de rever os registros dos últimos anos de vida do músico.
História pessoal e material inédito

O músico João Gilberto com a filha caçula Luísa, fruto do relacionamento com a empresária Claudia Faissol –
Faissol diz que conheceu João aos 18 anos, quando ele era atendido no consultório odontológico de seu pai, em Salvador. A relação começou como amizade e, segundo ela, alguns aspectos da vida dos dois serão abordados no documentário.
O acervo inclui ainda documentos relacionados à trajetória do músico. Entre eles estão uma carta da Universidade Columbia, em Nova York, com o convite para que João recebesse um título honorário em 2017, e a resposta em que ele aceitava a homenagem.
Parte das gravações domésticas já foi usada pela filha Luísa, que lançou seu primeiro disco como Loulu Gilberto. O repertório inclui canções que ela ouvia e cantava com o pai. Em setembro, a cantora foi indicada ao Grammy Latino nas categorias Gravação do Ano e Artista Revelação; a cerimônia está prevista para 12 de novembro.
Disputa sobre a herança
A sucessão de João Gilberto ainda é discutida na Justiça. Faissol pediu o reconhecimento de união estável com o músico. Também há uma disputa envolvendo Maria do Céu Harris, que afirma ter mantido uma relação com João por 35 anos. A divisão do patrimônio e dos direitos autorais depende da definição sobre os herdeiros.
Em decisão noticiada em agosto, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a proibição de que os filhos retirassem individualmente valores de direitos autorais até que questões sobre herdeiros, patrimônio e partilha sejam resolvidas.
Fonte: Ivan Finotti/Folha de São Paulo
















