Um bar, muitas histórias e uma vida inteira de trabalho. Seu Wilson é parte da memória viva do Alto da Igrejinha, em Lavras.
Wilson Adão de Pádua, 85 anos, fez do comércio uma verdadeira escola de vida. Nela permanece lúcido, feliz e realizado pela profissão.
Há 57 anos ele comanda o bar que leva seu nome, no inconfundível endereço da rua Toniquinho Pereira, nº 68, no coração do Alto da Igrejinha, onde hoje está localizada a Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Avó de três netos, 7 bisnetos, ele só faz prosseguir sem desanimar.

Tradição, simplicidade e muita história. Seu Wilson segue firme no bar que virou referência no Alto da Igrejinha e no coração de quem passa por lá.
O homem de estatura baixa e voz mansa é, na verdade, um gigante em história e dedicação. Nascido no município de Três Barras (MG), ele iniciou sua trajetória no comércio em 1963, ao lado da esposa Irene Naves de Pádua (in memoriam), que já administrava um bar na rua Padre Frederico, no bairro Serra Azul.

Entre garrafas antigas, santos e lembranças, o bar do seu Wilson preserva a memória de gerações.
Nas prateleiras do estabelecimento permanecem garrafas de aguardente que acompanham o negócio desde sua fundação. O chamado “boteco raiz” virou praticamente uma lenda na cidade. Entre os objetos que contam a história do lugar também estão imagens de santos e passarinhos engaiolados. Nas paredes, quadros dos times do coração — Fabril Esporte Clube e Cruzeiro Esporte Clube — revelam a paixão do dono pelo futebol.
O bar resiste ao tempo. Ritmo e constância marcam a rotina de seu Wilson, cuja jornada começa às 6h e termina às 22h, todos os dias. Pelo balcão do estabelecimento já passaram gerações de clientes, pessoas de todos os perfis e até frequentadores ilustres, que chegam para reverenciar o bom atendimento, os petiscos saborosos e a cerveja sempre gelada.
“Eu não consigo ficar parado. Venho para cá, converso com os amigos. Eu me sinto muito bem aqui”, conta o empresário aposentado, que não pretende pendurar as chuteiras tão cedo.

Mais que torcida, um espetáculo de alegria: a Charanga do Funil animava os jogos e ficou na memória de Lavras.
Seu Wilson também foi fundador da Charanga Alvinegra, em 1975, uma espécie de torcida organizada que acompanhava o Fabril Esporte Clube com música e muita animação.
“Eu me inspirei em quatro músicos que vieram com o Botafogo em um jogo contra o Fabril. Eles tocavam afinadíssimos. Falei com a direção do clube e conseguimos os instrumentos musicais. Daquele tempo, quase todos já faleceram. A charanga acabou porque o Fabril também acabou”, lembra, com saudade.

O tempo passa, mas as lembranças continuam nas prateleiras do bar do seu Wilson.
O espírito festeiro e carnavalesco, no entanto, ganhou continuidade com os netos de seu Wilson, Bruno e Ângelo, que criaram o Bloco Movidos a Álcool em 2005. Todos os anos, antes do Carnaval, os ensaios da bateria acontecem em frente ao bar.

Avô e neto diante de uma tradição: a charanga que levou alegria e música para a torcida do Fabril.
“O samba está aí, vivo como sempre. Quero ver a escolinha de bateria do Bloco Movidos a Álcool funcionando. O importante é o apoio da população”, afirma seu Wilson.
Segundo o neto Bruno Adão de Pádua, a comunidade sempre abraçou a presença do avô. “Quando o bar fecha, todo mundo vem perguntar o que aconteceu. O Alto da Igrejinha fica faltando um pedaço sem ele. A família só tem gratidão a Deus pela presença dele entre nós. A comunidade o abraça como um pai”, diz.
Com simplicidade e sabedoria, seu Wilson resume a própria trajetória: “A idade nos traz sabedoria. O comércio me ensinou muito sobre a vida. Agradeço a Deus e a Nossa Senhora pela amizade que o povo tem comigo.”

Paixão que atravessa gerações: os quadros do Fabril e do Cruzeiro lembram o amor de seu Wilson pelo esporte.
















