quinta-feira , 5 novembro 2026
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Agosto Dourado reforça apoio ao aleitamento materno e à inclusão

O mês de agosto é marcado pela campanha Agosto Dourado, iniciativa dedicada à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. A cor dourada simboliza o padrão ouro de qualidade do leite humano, reconhecido como o alimento mais completo para o desenvolvimento saudável de crianças nos primeiros anos de vida.

Mais do que uma prática biológica, a amamentação é um ato que envolve cuidado, vínculo, afeto, direitos e acesso a políticas públicas. Para que ela aconteça de forma bem-sucedida, é indispensável que pessoas lactantes recebam informação baseada em evidências, acolhimento qualificado e respeito às suas singularidades.

Ao longo da história, as amas de leite desempenharam um papel fundamental na alimentação de milhares de crianças. No Brasil, entretanto, essa história é marcada por profundas desigualdades. Durante o período escravista, mulheres negras escravizadas eram frequentemente obrigadas a amamentar os filhos das famílias escravizadoras, muitas vezes em detrimento da alimentação de seus próprios filhos. Reconhecer essa memória é essencial para compreender como raça, gênero e classe social atravessam a história da amamentação e reforçam a necessidade de políticas que promovam equidade e reparação.

Nos dias atuais, a diversidade das famílias amplia o entendimento sobre quem pode amamentar. Mulheres cisgênero, homens trans, pessoas não binárias e mulheres trans — em algumas situações, mediante acompanhamento especializado e protocolos de indução da lactação — podem vivenciar diferentes experiências relacionadas à amamentação ou à lactação. Além disso, o uso de leite humano doado pelos Bancos de Leite Humano e a alimentação por relactação ou translactação também representam formas legítimas de garantir nutrição, vínculo e cuidado ao bebê.

Entretanto, pessoas LGBTQIAPN+ ainda enfrentam barreiras importantes no acesso aos serviços de saúde. Entre os principais desafios estão a invisibilidade de suas vivências, o uso inadequado do nome social e dos pronomes, o preconceito institucional e a escassez de profissionais capacitados para oferecer um cuidado respeitoso e baseado em evidências. Essas dificuldades podem comprometer o acesso ao pré-natal, ao puerpério, ao apoio à lactação e aos serviços especializados.

Outro desafio persistente é o despreparo de parte dos profissionais de saúde para atender a diversidade das experiências de amamentação. Muitas pessoas relatam receber orientações desatualizadas, contraditórias ou permeadas por preconceitos, o que pode contribuir para o desmame precoce e para sentimentos de culpa e frustração. A qualificação permanente das equipes de saúde, fundamentada em evidências científicas e nos princípios da equidade e dos direitos humanos, é essencial para garantir um cuidado integral e acolhedor.

Revisão de texto: Luana Archilha, Consultora Internacional em Amamentação – IBCLC e Especialista em Cuidado Materno Infantil

Marina Martins – Enfermeira Consultora de Amamentação. Especialista em Saúde Materno-Infantil, Aleitamento Materno e UTI Neonatal e Pediátrica.

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