A terceira edição do OH ABRE ALAS – Festival Nacional de Teatro de Rua reuniu grandes nomes das artes cênicas, mais de 90 artistas, debates, música, cortejos, literatura, economia criativa e uma programação que reafirmou a força transformadora da cultura.
A terceira edição do OH ABRE ALAS – Festival Nacional de Teatro de Rua de Perdões chegou ao fim neste domingo (2) consolidando-se como um dos mais importantes encontros das artes cênicas em Minas Gerais. Durante três dias de intensa programação, entre sexta-feira (31), sábado (1º) e domingo (2), o festival reuniu mais de 90 artistas, companhias de diferentes regiões do país e um grande público que ocupou ruas e praças da cidade em uma verdadeira celebração da cultura.
Idealizado e produzido pelo Grupo Mundo Cênico, o festival reafirmou sua proposta de democratizar o acesso ao teatro, promover encontros entre artistas e espectadores e fortalecer a cena teatral brasileira. Abraçado pela comunidade perdonense desde sua primeira edição, o evento transformou as ruas da cidade em um grande palco de arte, emoção e reflexão.

No tradicional cortejo de encerramento, os atores tomaram conta das ruas de Perdões e levaram a magia do teatro para junto do público.
A abertura foi marcada pela presença da atriz, autora, diretora e produtora Grace Gianoukas, um dos grandes nomes do teatro e da televisão brasileira. Com o espetáculo “Nasci Pra Ser Dercy”, ela arrancou gargalhadas da plateia ao apresentar uma leitura sensível e bem-humorada da vida de Dercy Gonçalves.
Em entrevista ao Curta Lavras, Grace relembrou a importância do Terça Insana, um dos mais revolucionários projetos de comédia do teatro brasileiro, responsável por transformar a linguagem do humor adulto no país. “A proposta era rir do outro e de si próprio. Havia uma autocrítica para que pudéssemos nos abraçar. Eu gosto de desafios, tudo me interessa.”

Cena teatral contemporânea mostrou sua força, sua diversidade e sua capacidade de emocionar.
Sobre o espetáculo, ela explicou que buscou ir além da personagem conhecida pelo público. “Foi um mergulho na persona de Dercy Gonçalves, buscando a pessoa por trás do mito.”
Ao longo dos três dias, o festival também promoveu rodas de conversa, encontros entre artistas e público e debates sobre os rumos do teatro contemporâneo.

Durante três dias, famílias, crianças, jovens e adultos ocuparam os espaços públicos para prestigiar os espetáculos.
O Curta Lavras conversou ainda com Chico Pelúcio, ator, diretor, gestor cultural, integrante do Grupo Galpão e diretor-geral do Centro Cultural Galpão Cine Horto. Durante a entrevista, ele destacou a importância dos espaços culturais para a formação de novos artistas, o fortalecimento da produção cultural e a democratização do acesso às artes. “Tenho inveja do que o Grupo Mundo Cênico tem produzido nessa cidade. Esse é um exemplo para o país”, disse.
Além das apresentações de teatro de rua, o festival valorizou a identidade de Perdões ao abrir espaço para o artesanato, a gastronomia, os souvenires produzidos por artistas locais e diversos empreendedores criativos, fortalecendo a economia da cultura e aproximando visitantes da produção artística do município na Feira Viva Cena.

Música, ancestralidade e cultura popular marcaram a participação de Maurício Tizumba.
A programação também foi marcada pela Tenda Prosa em Cena, que promoveu encontros e conversas sobre literatura, teatro, gestão cultural, psicologia, processos criativos, produção artística e outros temas ligados ao universo das artes, aproximando público e artistas em um ambiente de troca de experiências e formação.
Outro dos grandes momentos da cobertura foi a conversa com Regina Bertola, diretora do Grupo Ponto de Partida. Ela refletiu sobre o papel transformador do teatro, defendendo a arte como ferramenta de celebração, resistência e transformação social. Regina também falou sobre o reconhecido projeto Meninos de Araçuaí, referência nacional em inclusão por meio da cultura.

Artistas, diretores, produtores e o público se reuniram para compartilhar experiências, discutir os desafios do teatro contemporâneo, a gestão cultural, os processos criativos e o papel transformador da arte na sociedade.
Segundo a diretora, em um mundo cada vez mais acelerado, o teatro preserva aquilo que há de mais humano: o diálogo, a escuta, o pensamento crítico e a capacidade de refletir coletivamente sobre a realidade.
Um dos destaques da programação foi a participação de Maurício Tizumba, ator, músico, compositor e um dos maiores representantes da cultura popular brasileira. Em sua apresentação, o artista celebrou a força da ancestralidade afro-brasileira, resgatando a africanidade presente na formação cultural de Minas Gerais por meio da música, da oralidade, da dança e da performance.

Chico Pelúcio, ator, diretor, gestor cultural, integrante do Grupo Galpão e diretor-geral do Centro Cultural Galpão Cine Horto, marcou presença no evento.
Em entrevista ao Curta Lavras, Tizumba destacou a importância de preservar as tradições populares e de reconhecer a diversidade cultural como elemento essencial da identidade mineira e brasileira,
O encerramento, no domingo, emocionou o público com o tradicional cortejo dos artistas pelas ruas de Perdões, seguido pela apresentação da Orquestra Imodesta na Praça da Matriz, coroando três dias de intensa programação cultural.

Regina Bertola, diretora do Grupo Ponto de Partida: valorização do exercício da linguagem no mundo contemporâneo.
Mais do que uma sequência de espetáculos, o OH ABRE ALAS reafirmou sua vocação como um espaço de intercâmbio artístico, formação de público e valorização da cultura brasileira. Ao reunir famílias, crianças, jovens e adultos em torno do teatro de rua, o festival fortalece Perdões como referência nacional na promoção das artes cênicas e confirma o sucesso de um projeto que cresce a cada edição.
















