Rolling Stones em 2026 (E-D): Mick Jagger, Keith Richards e Ronnie Wood (Foto: Kevin Mazur / Getty Images for UMG).
Em 2023, os Rolling Stones surpreenderam ao anunciar e lançar Hackney Diamonds, seu primeiro álbum de inéditas em 18 anos. Não é como se a banda estivesse parada nesse tempo todo: além de incontáveis turnês, eles disponibilizaram um disco de covers de blues (Blue & Lonesome, 2016) e as canções soltas “Doom and Gloom” e “One More Shot”, como parte da coletânea GRRR! (2012).
Aliás, os Stones nunca pararam — nem mesmo em períodos de briga entre o vocalista Mick Jagger e o guitarrista Keith Richards, únicos membros originais remanescentes. Mas um álbum cheio de novas composições tem sabor diferente. É um atestado de que um artista segue criativo, mesmo nos estágios mais avançados de sua carreira. De forma justa, o ótimo Hackney Diamonds recebeu aclamação crítica e comercial, com direito a chegar ao topo das paradas de 20 países.
Ainda naquela época, Jagger, Richards e o também guitarrista Ronnie Wood avisaram: um novo disco seria feito e lançado pouco tempo depois. Muitos não acreditaram, mas de fato eles voltaram a unir forças com o produtor Andrew Watt (44 anos mais jovem que o “novato” do grupo, Wood) e conceberam outra obra.
Não do zero. Foreign Tongues, que chega a público nesta sexta-feira, 10, guarda inúmeras semelhanças com Hackney Diamonds. A depender do gosto, soa como uma continuação natural ou seleção de sobras do disco anterior. Ainda assim, o novo trabalho apresenta alguns diferenciais importantes.
O primeiro está na retomada de Darryl Jones. Baixista “não oficial” em estúdio e turnês desde 1993, o americano esteve fora de Hackney Diamonds, já que o instrumento foi assumido por Watt, Richards e Wood. Agora, ele se faz presente em quase todas as faixas e contribui de forma substancial para o saboroso tempero pop/R&B de “Jealous Lover” e a veia disco music de “Never Wanna Lose You”.
Além disso, Foreign Tongues traz presença maior de guitarras, uso mais discreto dos convidados especiais — exceto por Steve Winwood, subestimado ícone do Traffic e Blind Faith responsável por teclados e órgãos de nove faixas — e um conteúdo lírico mais ácido. Exemplos?
Na despojada “Mr. Charm”, que seria muito interessante de se ouvir ao vivo, Jagger cita diretamente o “magnata enlouquecido” Elon Musk;
“Divine Intervention”, com seu refrão pegajoso e decisiva participação de Robert Smith (The Cure) na guitarra, reflete sobre “bilionários todos se apressando, correndo desesperados para seus refúgios nos céus”;
por sua vez, a country/folk “Ringing Hollow” faz o cantor admitir uma paixão pelos Estados Unidos do passado que não se mantém na atualidade. “A Estátua da Liberdade está de cara feia”, constata o inglês de 82 anos, por 19 deles residente de Nova York.
Fonte: Igor Miranda/Rolling Stones Brasil
















