segunda-feira , 21 setembro 2026
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Contos de aluna da Ufla retratam a realidade trans no Brasil contemporâneo

Maria Fernandes Nicolau, aluna do curso de Letras da Ufla, estreia na literatura com o livro de contos “Palimpséstica”, obra que aborda memória, identidade e a experiência travesti no Brasil contemporâneo.

Quartos abafados, lembranças interrompidas, identidades em deslocamento e relações atravessadas pela perda. Com esses e outros recortes temáticos, a escritora Maria Fernandes Nicolau construiu diversas texturas verbais, que resultaram em “Palimpséstica”, livro de contos que marca a sua estreia literária.

A obra reúne dezenove narrativas independentes, mas atravessadas pela mesma inquietação: a tentativa de continuar existindo em um mundo que frequentemente empurra certas vidas para fora do campo da percepção social.

“Eu investigo aquilo que permanece inscrito nas pessoas, apesar do tempo, da violência e do esquecimento”, pontua a mineira nascida em Leopoldina.

Aluna do curso de Letras da Universidade Federal de Lavras (Ufla), Maria Fernandes revela que começou a escrever aos quinze anos, mesma idade em que iniciou sua transição. Desde então, a literatura tornou-se uma forma de elaborar memórias, violências e desejos que atravessam a experiência travesti no Brasil contemporâneo.

A escrita íntima e inquieta da autora é construída a partir das marcas que o tempo, o corpo e a memória insistem em preservar. “Para mim, a literatura tornou-se uma forma de elaborar memórias, violências e desejos que atravessam a experiência travesti no Brasil contemporâneo”, acrescenta.

 

Rede

“Palimpséstica” reúne dezenove contos que exploram temas como memória, identidade, violência e pertencimento, marcando a estreia literária da escritora Maria Fernandes Nicolau.

“Palimpséstica” marca também um momento importante da editora lavrense Minas Surreais, já que se trata da primeira obra publicada pela editora em formato de livro. Criada por Henrique Viermann e Angie Honostório, a marca é uma iniciativa editorial independente dedicada à publicação, difusão e valorização da literatura e da produção artística contemporânea.

“Desde sua criação, a editora vem desenvolvendo zines, publicações independentes e projetos voltados à circulação de novas vozes da literatura contemporânea, ao incentivo da produção artística autoral e ao fortalecimento de redes culturais fora dos grandes centros editoriais”, afirma Viermann.

A publicação, segundo eles, amplia seu catálogo editorial e fortalece sua proposta de incentivar a circulação de novas vozes da literatura contemporânea e da produção artística independente. O lançamento acontecerá na Casa da Cultura, no próximo dia 2 de julho, às 20h.

A editora também promoveu uma chamada aberta destinada a artistas, coletivos e iniciativas culturais locais. Os participantes selecionados integrarão uma programação colaborativa que reunirá literatura, artes visuais, música, fotografia, artesanato autoral e outras manifestações artísticas. A proposta é transformar o evento em um espaço de convivência, valorização da produção cultural local e fortalecimento das redes entre artistas e público.

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