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Projeto da UFLA garante fogueira sustentável em festa de Ingaí

Startup acelerada pelo IpêTech/UFLA contribui para neutralizar emissões da Festa da Fogueira.

A tradicional Festa da Fogueira de Ingaí, em Minas Gerais, inicia um novo capítulo em sua história: a celebração contará com um processo de gestão ambiental para se tornar um modelo de “Fogueira de Carbono Responsável”. O avanço conta com o trabalho da startup Doubledyn, a partir de uma iniciativa desenvolvida em um dos programas gratuitos de aceleração da inovação do Parque Tecnológico da Universidade Federal de Lavras (IpêTech/UFLA), o Bootcamp Ideação.

Com cerca de 40 metros de altura, a fogueira de Ingaí é acesa anualmente no dia 23 de junho e representa um dos momentos mais aguardados da festividade, reunindo moradores e visitantes em uma tradição que atravessa gerações. Devido à grandiosidade da estrutura, a edição de 2026 tem emissão estimada em aproximadamente cem toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e).

Para garantir a neutralização integral desse impacto, o projeto prevê a compensação de 120 toneladas de CO₂  e volume superior ao estimado para as emissões do evento. A compensação será realizada por meio de uma solução desenvolvida pela Doubledyn durante atividades do programa “Bootcamp Ideação”, promovido pelo IpêTech/UFLA.

A startup, fundada pelos empreendedores Diego Augusto e Pedro Henrique Pinheiro, utiliza tecnologia blockchain para garantir a transparência do processo. Com isso, tem-se um sistema de registro digital descentralizado, que permite armazenar informações de forma segura e auditável. A ferramenta dificulta alterações indevidas nos dados e possibilita o acompanhamento de todo o histórico da compensação de carbono, conferindo maior rastreabilidade, credibilidade e segurança às informações.

Tradição com foco sustentável

Realizada em junho para homenagear São João Batista, santo padroeiro de Ingaí,  a festa para a queima da fogueira é o maior e mais tradicional evento do Município, com mais de 90 anos de história.

De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a preocupação ambiental já faz parte da organização do evento, que utiliza predominantemente madeira de eucalipto proveniente de florestas plantadas e com origem rastreável, reduzindo a pressão sobre remanescentes de vegetação nativa. Agora, a festa avança mais um passo, ao adotar um modelo de gestão baseado na mensuração e compensação das emissões associadas à tradicional queima da estrutura.

A proposta de  “Fogueira de Carbono Responsável” refere-se ao compromisso de minimizar a pegada de carbono emitida por eventos, como festas juninas, onde fogueiras e o deslocamento de pessoas geram emissões. A prática baseia-se em inventariar, reduzir e compensar os gases de efeito estufa gerados durante a festividade.

Para um dos responsáveis pelo projeto, o engenheiro florestal Luiz Otávio Martins Costa, “a iniciativa demonstra que a preservação do patrimônio cultural pode evoluir junto às novas demandas da sociedade”, ressalta.

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