A conclusão do processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), nesta terça-feira (16/6), se deu com a venda de 45% das 50,03% das ações que eram de responsabilidade do governo do estado. Além do Grupo Equatorial, que tornou-se investidor de referência ao adquirir 30% dos papéis da empresa mantidos até então sob a tutela do estado, investidores estrangeiros e de varejo também adquiriram cotas da participação estatal.
O estado negociou os outros 15% que foram incorporados por diferentes entes do mercado. Após a cerimônia que confirmou a liquidação na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo, o governador Mateus Simões (PSD) informou que 40% da fatia foi incorporada por investidores de outros países. “Quem já está com dinheiro nacionalizado, acaba fazendo um investimento porque o dinheiro já está aqui. Quem traz o dinheiro de fora para fazer o investimento tem ainda uma análise mais dura sobre o ativo, o que mostra sua qualidade”, disse em entrevistas a jornalistas.
Conforme o estado, investidores institucionais ficaram com 10,5% do capital da companhia, em um volume financeiro de R$ 1,96 bilhão, enquanto investidores de varejo passaram a deter 4,5% do capital social, com movimentação de R$ 838,9 milhões. Ao todo, a privatização movimentou R$ 8,38 bilhões, valor que deverá ser integralmente utilizado para o abatimento do débito com a União, por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
A Perfin, que já era acionista da Copasa, ampliou o volume de ações com a compra de 1.077.500 títulos ordinários, chegando ao montante de 48.509.5611 ações representativas. Agora, a Perfin chega a 20,11% da Copasa, conforme informado pela própria empresa de saneamento ao mercado. Em carta enviada à Copasa informando a aquisição de mais papéis, a Perfin argumentou que a operação é “estritamente de investimento”. “Não objetivando alteração do controle acionário, tampouco visam a uma quantidade determinada de ações da Companhia”, diz o documento.
Golden share
Como previsto, o estado manteve 5% da participação na Copasa, na chamada Golden Share. A ação é considerada estratégica porque dá, ao estado, poder de veto em questões importantes. Em São Paulo, o governador Mateus Simões disse que a atribuição só será utilizada “sempre que o interesse público e a proteção dos mineiros estiverem em jogo”.
O que diz a Equatorial?
O CEO do Grupo Equatorial, Augusto Miranda da Paz, disse que a compra das ações da Copasa se deu com senso de responsabilidade e prometeu cumprir com as metas de universalização do saneamento. “É uma prioridade estratégica para nós e, acima de tudo,um serviço essencial que transforma realidades, promove saúde, qualidade de vida e desenvolvimento. Queremos contribuir para fortalecer uma companhia já relevante e ajudar a acelerar a agenda da universalização em Minas Gerais”, projetou.
Miranda prometeu ampliação de investimentos para modernização da operação da Copasa. “É um compromisso de longo prazo com Minas e com a sociedade mineira. Trabalharemos juntos sempre com diálogo e transparência”, prometeu o CEO. Na semana passada, em apresentação ao mercado, o Grupo Equatorial destacou que a operação tem ‘segurança jurídica’, já que os prazos médios de concessão dos serviços de água e esgoto nos municípios sob a responsabilidade da Copasa chegam a 28 anos.
A empresa destacou o acordo entre a companhia e Associação Mineira de Municípios (AMM), sob intermédio do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), que garantiu a ampliação do esgotamento sanitário em 273 cidades que já possuem contratos de abastecimento de água.
“A aquisição será financiada via dívida, com impacto de 0,3×1 na alavancagem consolidada do Grupo”, informou a Equatorial. A apresentação também reforça que a empresa estará em lock-up, ou seja, proibida de vender os 30% de ações, até junho de 2030. A negociação de 50% dos papéis pode ser feita a partir de dezembro de 2033 ou até o atingimento das metas de universalização. A previsão é que a liquidação na Bolsa de Valores seja feita no dia 16 de junho.
A operação finaliza o processo de privatização da empresa, que foi aprovada no ano passado pela Assembleia Legislativa (ALMG) como parte dos procedimentos necessários para adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
Fonte: O Tempo
















