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2025 foi um ano histórico para a cultura lavrense

Apresentação do Grupo de Teatro Construção no projeto da Fundação Abraham Kasinski aprovado na Lei Rouanet

Por Giselle, presidente do Instituto Phos

O ano de 2025 consolidou-se como um período de conquistas expressivas para a cultura de Lavras. Foi, sem dúvida, um marco de avanço no processo de profissionalização do setor, com resultados concretos em políticas públicas estruturantes e nas leis de incentivo.

Um dos exemplos mais representativos está na Política Nacional de Cultura Viva. Criada em 2014, essa política só teve seu primeiro Ponto de Cultura certificado em Lavras dez anos depois, em 2024, com a ASPAT. Em 2025, o município registrou mais quatro certificações: Escola de Capoeira I Lá Vou Eu, FADOMA, Cia de Reis Família Barbosa e Cia de Reis Estrela do Amanhã. Trata-se de um salto relevante na principal política nacional de reconhecimento de iniciativas culturais, com impactos diretos na visibilidade institucional e na capacidade de articulação.

Outro destaque foi o desempenho dos grupos lavrenses nos editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) executados pelo Governo do Estado de MG por meio da SECULT-MG. Tiveram êxito, até onde temos conhecimento, os grupos I Lá Vou Eu, Mocidade Unida da COHAB, Cia de Reis Família Barbosa, Cia de Reis Estrela do Amanhã, Capoeira Tradição, Grupo de Capoeira Nova Liberdade, Circo Lumiar e AMCEP. Esse resultado posicionou Lavras como um dos municípios do Sul de Minas com maior número de projetos aprovados no âmbito do edital estadual, evidenciando a ampliação da capacidade de planejamento, organização documental e elaboração técnica dos agentes culturais do município, bem como o fortalecimento de suas redes de articulação para acessar políticas públicas de fomento.

Na Lei Rouanet, 2025 também representou um ponto de virada. Conquistaram patrocínio, pela primeira vez, a Fundação Abraham Kasinski, o Grupo de Teatro Construção e a Euterpe Operária. Até então, conforme o histórico disponível, apenas três instituições do município haviam logrado êxito na captação via leis de incentivo. Em 2025, esse número dobrou, evidenciando um salto de maturidade técnica e de articulação institucional.

Nesse contexto, é indispensável reconhecer o papel das empresas que confiaram na cultura local e patrocinaram projetos via Lei Rouanet: Aliança Energia, Minas Verde, Grupo Ciclope e Expresso Nepomuceno. Ao investirem em projetos no próprio território, essas empresas fortalecem a economia criativa, ampliam o acesso à cultura e contribuem para que a população usufrua de ações artísticas gratuitas e qualificadas.

Outro marco do ano foi o volume de grupos da cultura popular aprovados no edital municipal do primeiro ciclo da PNAB. Diversos agentes e coletivos que historicamente não conseguiam acessar recursos públicos foram contemplados pela primeira vez, o que representa um passo decisivo para fortalecer a confiança no sistema de fomento. Diferentemente da Lei Paulo Gustavo, que estabelecia a destinação obrigatória de 70% dos recursos ao audiovisual, a PNAB não fixa reserva para um segmento, permitindo que diferentes linguagens e tradições concorram em condições mais equilibradas, conforme o desenho do edital.

Em síntese, 2025 reuniu indicadores objetivos de avanço: na Rouanet, principal lei de incentivo fiscal do país, Lavras dobrou o número de grupos com projetos patrocinados; no âmbito estadual da PNAB, teve oito grupos aprovados, destacando-se como um dos municípios do Sul de Minas com melhor desempenho; e, na Política Nacional de Cultura Viva, evoluiu de 1 para 5 Pontos de Cultura certificados, equivalente a um crescimento de 400%.

É importante registrar que parte decisiva desse avanço se deve ao apoio do secretário municipal Rodrigo Pacheco e da coordenadora de cultura Lucinda Nunes. A atuação de ambos, marcada pela disponibilidade e pela agilidade nas orientações e nos encaminhamentos técnicos, contribuiu para o êxito da maioria dos grupos citados. Esse suporte foi determinante para que esses grupos conseguissem estruturar a documentação, qualificar propostas e transformar oportunidades em resultados concretos para a cultura lavrense.

Para 2026, a perspectiva é de intensificação desse movimento. Estão em curso novos processos de certificação de Pontos de Cultura, há projetos em estruturação nas leis de incentivo e avança a preparação técnica dos grupos para captar recursos além do orçamento municipal, diversificando fontes e reduzindo vulnerabilidades.

Por fim, é fundamental afirmar: os grupos culturais de Lavras não podem depender exclusivamente do apoio da Prefeitura. A gestão municipal tem contribuído dentro de suas possibilidades, mas o fortalecimento sustentável do setor exige ampliar o horizonte de oportunidades — leis de incentivo, editais estaduais e federais, patrocínios privados, fundos e parcerias estratégicas. O caminho para consolidar o crescimento passa pela autonomia, pela qualificação contínua e pela capacidade de acessar recursos de diversas fontes.

Apresentação do Grupo de Teatro Construção no projeto da Fundação Abraham Kasinski aprovado na Lei Rouanet

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