Cultivares de feijão desenvolvidos na fazenda são referência nacional e chegam à mesa de famílias em todo o Brasil.
A Fazenda Experimental Muquém, oficialmente Centro de Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Agropecuária (CDCTA), consolidou-se ao longo de décadas como um dos principais ambientes de pesquisa da Universidade Federal de Lavras (UFLA). No local nasceram cultivares de feijão que transformaram o mercado brasileiro, formaram-se gerações de cientistas e avança, agora, uma das mais significativas modernizações da ciência agrícola no estado.
Criada após a migração da antiga área experimental da universidade, a Muquém iniciou suas atividades em um pasto degradado e recebeu sua primeira infraestrutura por meio de um projeto financiado pela FINEP. Hoje, é o maior campo experimental da UFLA, reunindo cerca de 30 grupos de pesquisa e oferecendo formação prática a estudantes de graduação e pós-graduação.
Para o professor Magno Ramalho, referência nacional em melhoramento de feijão, a fazenda foi decisiva para consolidar a pesquisa agrícola na universidade. “A Muquém foi fundamental para gerar cultivares com a qualidade que alcançamos. O feijão foi a base de formação de muitos pesquisadores, pela rapidez do ciclo e pela variabilidade genética disponível”, afirma. De lá saíram cultivares como BRS Majestoso, BRS Uai e BRS Madre Pérola, presentes na mesa de famílias em todo o país.

O professor João Cândido, atual coordenador do CDCTA, destaca o papel estratégico da área. “Setenta alunos podem estar aqui no mesmo dia, conduzindo experimentos que resultarão em dissertações, teses e novas tecnologias. A Muquém é um laboratório a céu aberto”, afirma.
A área também sustenta novos programas de pesquisa. O professor Adriano Bruzzi, líder do Melhoramento de Soja da UFLA, lembra que sua trajetória começou ali, nos anos 1990, e ressalta que a fazenda segue essencial no desenvolvimento de linhagens mais produtivas e adaptadas.
Em 2025, a Muquém entrou em uma nova fase de modernização. A FUNDECC, com recursos da FAPEMIG, investiu quase R$ 2 milhões na atualização da infraestrutura. Seis equipamentos de grande porte foram adquiridos, entre eles plantadora de precisão, colheitadeira de grãos, pulverizador tratorizado e trilhadora de parcelas.
Para a coordenadora de compras da FUNDECC, Christiane Figueiredo Alvarenga Fialho, o avanço tecnológico tem impacto direto na qualidade da pesquisa. “São máquinas modernas, que garantem experimentos mais eficientes e ampliam o aprendizado prático dos estudantes”, afirma.
Com 170 hectares, a Muquém abriga experimentos de feijão, batata, milho, soja, trigo, arroz e outras culturas, além de áreas preservadas que mantêm a diversidade ambiental. Parte da produção abastece o Restaurante Universitário da UFLA, fechando o ciclo entre pesquisa, campo e comunidade.
A nova fase da Fazenda Experimental Muquém reafirma seu legado histórico e projeta um futuro de inovação, tecnologia e formação de novos pesquisadores para a agricultura mineira e brasileira.

















